quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Brasil de sempre"!

Esse é o título do excelente artigo escrito por José Medrado, renomado Espírita baiano, em sua coluna semanal de A Tarde, hoje. Numa "garimpada" histórica, o Medrado nos mostra que nos enganamos se achamos que a corrupção ou "jeitinho brasileiro", dentre outras anomalias do nosso caráter, é de hoje. Ela teve início no Brasil desde o Império. Citando publicação do sociólogo Marcelo Ferraro, "o processo de corrupção brasileiro é histórico, para entendermos mais recentemente, a família real quando veio para o Brasil, em 1808, com atitudes que favoreceram o "tráfico de influências". Laurentino Gomes, em seu livro 1808, lembra que a prática de "caixinha" era de 17% sobre os pagamentos e saques no Tesouro Público. Sem esse "pagamento" o processo não andava. Gomes apresenta também uma dupla de funcionários que virou piada carioca, na época: Azevedo e Targini, responsáveis, respectivamente, pelas compras e pagamentos do governo de D João VI. Enriqueceram "misteriosamente " nesse período e foram promovidos de Barão a Visconde (do Rio Seco e de São Lourenço). O povo carioca cantava a roubalheira: "Quem furta pouco é ladrão / Quem furta muito é Barão. Quem mais furta e esconde / Passa de Barão a Visconde"(*), conclui o José Medrado. Nos tempos atuais, os títulos são outros, mais notórios e mais desejados: Presidente da República, Presidentes do Senado, da Câmara dos Deputados, Ministros de Estado e alguns, de altas Cortes e por aí vai. No seu artigo o Medrado nos convida, principalmente a não nos deixar levar pelo "jeitinho brasileiro", quando isso for ao nosso favor. São nos pequenos gestos que os grandes e pequenos Homens se revelam. Não podemos cobrar combate à corrupção nas esferas municipais, estaduais e federal se paramos o carro em fila dupla para apanhar nossos filhos na escola, se fingirmos dormir no assento do coletivo para não dar lugar a uma grávida ou idoso, ou ainda, se em vez de socorrer o motorista do caminhão sinistrado, preocupamo-nos em saquear a maior quantidade de produtos possíveis! Enquanto não passarmos "a limpo" nós mesmos, não teremos moral para vociferar um "Fora-qualquer-um"!! Pensemos nisso e tentemos, primeiro, ser éticos com nós mesmos. A partir daí, agindo como cidadão pleno, poderemos cobrar alguma coisa. Não antes!

(*)Trecho de matéria do Jornal A Tarde de 19/02/2017
José Medrado: Mestre em família pela Ucsal e
                         fundador da Cidade da Luz.

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