segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Banco do Brasil: Descanse em paz!!

Hoje fico triste. Lembro-me muito bem daquele festivo 08 de janeiro de 1976, quando o Banco do Brasil era inaugurado em Mairi. E pra meu orgulho, lá estava eu entre os funcionários da Agência, prontos para recebermos os clientes. Lembro-me bem da chegada à agência do Presidente Ângelo Calmon de Sá e a cidade em polvorosa. Bem ali, onde hoje funciona o Supermercado Monte Alegre! O maior frisson para que tudo desse certo. Fiquei uns três dias datilografando o discurso do Gerente Cézar Braga Alves. Este, perfeccionista e muito bom de oratória, volta e meia corrigia o discurso. Foi uma festa e tanto. Bons tempos em que os clientes eram super bem atendidos, apesar do volume de trabalho e de pessoas para um espaço apertado. Nada que não se pudesse dar um jeito de descontrair o cliente mais tenso, como fazia Geraldo das Mercês Silveira, no Caixa da Agência ao chamar um beneficiário do Funrural para receber seu benefício. Na hora, o cidadão, acanhado, entregava a identidade e, percebendo nervosismo do idoso, Geraldo sempre brincava pra quebrar o gelo. A mais famosa brincadeira e que realmente surtia efeito era a de dizer que "essa identidade não é do senhor não"! E o cliente, mais acanhado ainda confirmava: "Ôxe, é eu sim Sêo Gerardo! É eu..."!! Prontamente o Caixa dizia: "Não é o senhor não! Cadê o chapéu do retrato"? Só aí o cidadão entendia a brincadeira e era mais uns minutos de risadaria e descontração. Não tem como não ser saudosista. O prédio ficou pequeno demais para o volume de negócios e construiu-se um magnífico prédio. Feita a mudança, durantes uns pouquíssimos anos funcionou a contento. Aí veio o Fernando Henrique Cardoso querendo privatizar também o Banco do Brasil. Não o fez por pressão da sociedade. Mas fez pior: arrebentou o Banco, tirando-lhe as linhas de crédito que tanto beneficiaram aos clientes pequenos, notadamente os nordestinos, tão sofridos com a seca. Eram linhas de crédito com juros baixíssimos e longos prazos, com folgada carência para pagamento da primeira parcela. A principal delas era o Proterra. Daí em diante o Banco começou a descer a ladeira, rumo à insignificância e ineficiência. Primeiro, o atendimento ficou ruim porque vários funcionários foram relotados por não terem o que fazer. Os serviços diminuíram em quantidade e qualidade. Os novos funcionários, sem terem vivido o verdadeiro espírito BB e por não terem recebido o devido treinamento, distanciaram-se quilômetros da clientela, passando a existir um relacionamento formal e frio com estes. Tão frio que recentemente, na Agência de Mairi, um funcionário esmurrou um cliente  apenas por esse ter atendido um telefone que tocava há minutos sem que algum funcionário se dignasse a atender ao chamado. E fica tudo por isso mesmo! O atendimento que é de no máximo 15 minutos em dias normais, é piada. O atendimento verbal, com raríssimas exceções, satisfaz ao cliente. Nos fins de semana, "por motivo de segurança", os caixas eletrônicos ficam fechados. Mas o pior é fim e início de mês, quando se recebe o pagamento: dois três dias sem dinheiro e, quando liberam, não raro é para apenas uma máquina. Cheguei a cobrar dos vereadores que se unissem para uma cobrança mais efetiva. O Vereador Alan e outros tiveram, segundo informações que obtive, uma reunião com o Superintendente Regional em Salvador e ouviram do Dirigente que "se vocês quiserem o Banco do Brasil na sua cidade vai funcionar desse jeito. Se não quiserem, fecharemos a Agência"!! Os tempos mudaram realmente. Antes, quando um Superintendente visitava uma Agência, todo mundo ficava apreensivo. Se encontrasse alguma irregularidade ou, principalmente queixa, "o bicho pegava"! É triste constatar hoje que o Banco primeiro do Brasil, absolutamente voltado para o social e sem fins lucrativos, transformou-se num desconfortável "tamborete" com requintes de vampiro. A propaganda do Banco é a de que o Banco do Brasil é "Bom Para Todos"! Até acredito! Mas só se for para todos os "Henriques Pizzolato" que ainda infestam seu quadro funcional! É triste!

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"Aqui jaz uma Instituição das mais conceituadas deste País: O Banco do Brasil"!

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