segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Queria ser um Cachorro!




Do que me adianta tanta “racionalidade” e construir armas com o único intuito de ganhar dinheiro?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se a minha maior diversão, junto com outros ditadores sanguinários, é promover a miséria de Países inteiros, tirando tudo que seu povo tem, inclusive o direito à vida?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se meu maior prazer é contrabandear minhas irmãs para organizações criminosas, para serem escravas sexuais e com isso eu ganhar dinheiro?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se com todo dinheiro que tenho, mesmo ganho honestamente, no conforto do ar condicionado do meu carro num engarrafamento, fecho a janela ao perceber a aproximação de uma criança faminta e abandonada por todos, justificando pra  mim mesmo tratar-se de um “pivete” que me assaltará?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se meu maior prazer é enganar as pessoas que confiaram seu futuro e o do seu País às minhas decisões políticas, se me organizo, com outros fiéis depositários das esperanças desse povo, em grupo criminoso para, além de roubarmos quem nos elegeu ainda roubamos as maiores empresas do nosso País?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se após a Colação de Grau numa bela profissão, faço Pós Graduação, Doutorado e Mestrado para me reunir com outros Mestres com o único intuito de ludibriar todas as leis?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se como  Ministro das mais altas Cortes, com a mão sobre a Bíblia Sagrada, juro promover a Justiça e defender os mais necessitados, se o que realmente faço é me alinhar com a escória política usando minha Toga preta como asa de ave de rapina para que, em troca da aprovação de minhas reivindicações por vezes absurdas, eu cometa a maior das indecências ao proteger-lhe da Justiça que jurei defender,dando-lhe carta branca para promover todo tipo de bandalheira e a certeza da impunidade?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se ocupo um honroso cargo de Defensor dos Direitos Humanos e o que faço é dar guarida ao criminoso, esquecendo-me sempre da família que teve o seu pilar  aniquilado, não raro por míseras moedas ou um relógio de R$10 reais?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se ajudo a criar, como renomado Jurista que sou, o Estatuto da Criança e do Adolescente para protegê-los e tiro dos pais o legítimo direito de impor limites para o seu próprio bem-estar e crescimento digno e honrado?
Do que me adianta tanta “racionalidade” se como Juiz absolvo a “criança” de dezessete anos que agrediu a socos e pontapés a Professora que lhe preparava o caminho do crescimento, desfigurando-lhe o rosto e o corpo, se foi justamente essa Professora que me possibilitou chegar onde estou?
De resto, eu queria mesmo era ser um cachorro: correr solto pelas ruas, pelas pradarias, pelos quintais, apanhar os pedaços de pau que meu dono pobre, brincando comigo, atiraria ou uma bonita bolinha que numa área verde da mansão do meu dono rico ele jogava repetidas vezes e ficava a rir-se da minha esperteza. Não me importaria com raça: ser cachorro já me satisfaria. Se tivesse de escolher a raça, optaria por ser Vira lata. Resistente às intempéries qual nordestinos, duro de contrair doenças como as pessoas que moram nas ruas, vítimas “de tanta racionalidade” dos letrados e pronto pra fazer qualquer serviço como campear gado caprino, ovino, suíno e bovino, ajudar a tocar tropa de animais, etc. Enfim, ser trabalhador como os brasileiros honestos que aí estão aos milhões! É: nem essa opção de escolha posso me dar ao luxo. Fiz uma rápida reflexão e percebi que realmente não dá pra querer ser cachorro: meu País já se encarrega o tempo todo de me fazer sentir como tal! Au! Au Au!!

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