domingo, 3 de julho de 2016

Guarda Civil: melhora ou piora a Segurança?

Esse assunto é polêmico, sei disso. De um lado estão as pessoas que clamam pela criação da Guarda Civil Municipal em suas cidades. Do outro, mães que choram a perda de seus filhos, na maioria menores de idade, justamente por uma equipe que deveria ajudar na segurança dos munícipes. O caso mais recente foi em São Paulo, onde alguns membros da Guarda Civil deram cabo da vida de um rapaz. Pode ser uma faca de dois gumes: há quem se ache "Puliça", quando veste a farda da guarda. Sabemos que a guarda civil municipal tem a finalidade de zelar pelo patrimônio público, pela integridade física das pessoas, ajudando a Polícia mas sem o poder de Polícia! No máximo pode agir como Polícia Administrativa na apreensão de produtos comercializados indevidamente ou de orígem duvidosa, quando solicitada. É o famoso "rapa", como existe nas grandes cidades. Não concordo com essa prerrogativa, mas os Prefeitos podem assim determinar. Aqui em Mairi esse assunto foi discutido recentemente na Câmara de Vereadores, numa reunião proposta pela CDL de Mairi, com a participação da sociedade e de algumas autoridades. "Algumas autoridades" porque quem entende de Segurança Pública de fato não estava presente: Delegado de Polícia, Comandante do Batalhão ou da Companhia de Policia de Capim Grosso, que tem jurisdição sobre Mairi. Talvez estivessem em diligências, visto que o efetivo é insignificante para atender a todos os municípios. Um dos temas propostos na reunião foi a efetiva criação da Guarda Municipal, sendo que um vereador provou que projeto nesse sentido foi apresentado à Câmara de Vereadores em 2011, se não me engano. Segundo o Vereador Roque "da Luz" o Projeto está engavetado. Houve até um momento mais tenso, quando o Vice Prefeito tentou emparedar o Prefeito Raimundo Dentista, perguntando se afinal, o município ia ou não criar a Guarda Municipal. Com muita tranquilidade o Prefeito citou o caso do município de Várzea da Roça, com Guarda Municipal, mas que a violência tem aumentado, ao ponto de uma creche ser invadida e uma criança feita refém, quase terminando em tragédia. Citou também o caso de Baixa Grande, com Guarda Municipal, mas que a cidade estava sob toque de recolher, imposto por um único bandido que estava aterrorizando o município. O Prefeito falou ainda que não se cria uma Guarda Municipal com uma canetada! É preciso estruturar a equipe, principalmente fazer uma seleção com candidatos que atendam a todos os pré requisitos, e que depois de selecionados, toda a equipe posse por treinamento especializado para o correto cumprimento de suas funções. Sabemos que isso demanda tempo e dinheiro. Pois bem: em visita a um parente hoje, em Baixa Grande, duas histórias sobre a Guarda Municipal de lá me deixaram revoltado. A primeira, aconteceu no distrito de Italegre há mais ou menos duas semanas, onde o Delegado e o Chefe da Guarda Municipal foram fazer uma diligência. Uma senhora, querendo se separar do marido e não sabendo como fazê-lo, resolveu denunciá-lo por estupro. Certamente que vendo muita Tv ela não teve dúvida de que esse é um crime que não fica sem punição. Segundo relatos, o Delegado e o Chefe da Guarda Municipal bateram tanto nesse senhor que, por causa dos chutes nos testículos, desferidos pelo Guarda Municipal, ele teve de ser levado às pressas pro Hospital Luis Eduardo Magalhães, aqui de Mairi! A mentira foi descoberta mas o estrago já estava feito. O segundo caso envolvendo o Chefe da Guarda Municipal de Baixa Grande, aconteceu com o sequestro de um adolescente de 13 anos que estava com sua mãe e seus irmãos, em casa, mas que teve sua residência invadida pela dupla de "agentes da lei" que, segundo a própria mãe do garoto contou, bagunçaram a casa toda, bateram muito nela e, além de espancarem o garoto com socos e pontapés, levaram-no da residência e está desaparecido até hoje! A mãe, uma senhora sem marido, pobre e que sobrevive fazendo trabalhos domésticos em casas de outras pessoas. O mais engraçado é que tudo isso, segundo relatos, era para que o garoto dissesse onde se encontrava o tal bandido que impusera o toque de recolher! Moradores agora afirmam que estão num clima de toque de recolher, só que por medo da Polícia!! Orientaram a mãe do garoto a procurar o Promotor de Justiça. Ela foi e, antes de ser recebida na promotoria,!! o Delegado se antecipou a ela, entrou na sala, conversou com o Promotor e depois saiu. Quando ela foi convidada a entrar e contou o caso, o Promotor lhe teria dito "...É mãe, não posso fazer nada pela senhora"! Segundo informações, o tal Chefe da Guarda Municipal sempre morou fora de Baixa Grande e, quando da formação da equipe chegou à cidade, sendo logo nomeado como Comandante da GM. Foi feito um treinamento de um ou dois dias em Salvador e já estão, não sei se todos mas pelo menos o "chefe", de arma na cintura! Isso não é só perigoso: é temerário!! Portanto eu pergunto: será que o tiro não pode sair pela culatra? Será que não pode haver um "efeito colateral"? Será que a pressa do Vice Prefeito de Mairi em ter uma resposta sobre a criação da GM não pode atrapalhar a implantação de uma guarda muito bem pensada e discutida? Fazer por fazer não resolve e, como vimos nos exemplos de Várzea da Roça e Baixa Grande, parece que a Guarda não guarda nada! E o pior: em alguns casos está levando mais insegurança à população! Vamos pensar com cuidado?

Um comentário:

  1. Nos municípios pequenos, a violência tomou conta e os moradores vivem sob o signo do medo.
    É um caso a ser pensado.

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