sexta-feira, 3 de julho de 2015

"A Odisséia Hospitalar" - Final!

Bem feito: fui fazer a brincadeira da "celebridade de pulseirinha" no hospital e o caldo entornou de vez! Mas vamos ao "traumático" final das minhas visitas juninas ao Hospital de Mairi: dia 29, com os músculos e tendões das pernas em chamas, tortinho tortinho, cheguei ao hospital pela manhã e fui atendido como emergência. A heroína de plantão, a mesma do episódio D. Chuvisco, solicitou alguns exames e me encaminhou para o Posto de Enfermagem para receber o "carinho" de uma agulhada repleta de Voltaren. Milagre!! No final da tarde já estava dando cambalhotas. Por precaução, ela me receitou um antiinflamatório em drágeas e outro injetável. Mas, em regime de urgência - devidamente anotado na solicitação -, encaminhou-me ao ortopedista que estaria atendendo no outro dia. Por volta do meio dia e trinta cheguei na recepção - entrei na fila e quem estava comigo foi Amélia que ajudava em tudo, visto que as terríveis dores voltaram. Após a triagem (aferição de pressão arterial, respiração e batimentos cardíacos), passamos a aguardar o médico que normalmente chega por volta das três horas da tarde. Amélia me disse "é hoje que tu chega em casa às dez da noite...", numa tentativa de me deixar menos tenso e diante do número de pacientes. E me deu um último aviso: “as pessoas dizem que o cara não tem a menor paciência com os pacientes”! Com a quantidade de pacientes na minha frente eu já estava concordando com ela. Alvoroço no pedaço, chegou o "Dotô"! Começam a organizar a fila com os prioritários, os que eram só revisões, etc. Após o quinto paciente sair, escuto: “Orlando..., Orlando Dionísio...”! Abri um largo sorriso e entrei no consultório: receitinha da médica anterior dobrada, “resumo” pronto do problema que começara exatamente no dia 3 de maio ao subir na moto pelo lado direito, sentei.
 – Sr Orlando?
“Sim senhor...Eu mesmo”!
- O que é que há? – Aí a grande surpresa: “o cara é gente fina!! Me cumprimentou justamente como meus conterrâneos da roça...”!!
“Nada de novo..., tudo velho” – respondi confiante e imaginando já uma amizade!
- Não, não: quero saber o que é que há com a sua saúde, o que o traz aqui!
“Hã...” – Bem, tudo começou no dia 3 de maio quando fui subir na moto. Senti uma “fisgada” na coxa esquerda...
- Quantos anos o senhor tem?
“61...”! – Como eu estava lhe dizendo, senti uma fis...
- Vamos ao que interessa: aonde está doendo REALMENTE?
Naturalmente fiquei muito chateado porque estávamos no dia 30 de junho e o cara não me deixava sair do dia 03 de maio! Eu só queria passar-lhe as informações precisas para que seu diagnóstico fosse definitivo!!
“Aqui na panturrilha, curva da perna nos tendões, coxa e na bunda! Às vezes não consigo sequer sentar. Parece que estou sobre uma enorme fogueira...”!
- Deite ali, pernas pra lá, cabeça pra cá e barriga pra cima. Não precisa tirar a calça – ordenou! Cumpri a ordem e ele levantou minha perna esquerda, a mais afetada, e teve um rasgo de gentileza ao dizer “quando doer, fale”!
“Aiiiii...Bem aí” – Informei.
- Pode se sentar...! A princípio não vou solicitar exames. Faça essa fórmula e compre essas injeções. Ok? Tome aqui uma solicitação para marcar a sua volta. Precisamos nos ver mais para avaliarmos o problema! – Entre puto e aliviado concordei:
“Certo! Mas... – fiz menção de mostrar-lhe finalmente a receita anterior e quando a desdobrei...
- D. Almerinda...!! D. Almerinda...!!– Gritou por cima do meu ombro. Frustrado por ter chegado ao dia 30 de junho sem ter saído do dia 3 de maio, saí da sala, mas tive o consolo de imaginar que o rapaz da fila, por me considerar “celebridade” mesmo hospitalar, deu um jeito de me colocar no início do atendimento.
“Brigadão parceiro...! Valeu a força”! – Agradeci na saída. Muito mancando ainda, ouvi a insolente resposta do rapaz:
- Qual é tio, tá achando o quê? O senhor foi atendido PREFERENCIALMENTE (fez questão de frisar) porque é direito seu!! Não lhe fiz nenhum favor. Será que o senhor se esqueceu que já está na Terceira Idade?
Finalmente a ficha caiu!! Kkkkkkkkkkkkk. Decididamente, junho de 2015 não foi um bom mês pra mim. Ainda bem que já foi!!!
Nota: A conversa com o rapaz da portaria não aconteceu. Mas, com tanto azar, certamente aconteceria se eu fosse tirar uma de engraçadinho. Agradeço aos funcionários do Hospital Luiz Eduardo Magalhães de Mairi. Verdadeiros heróis. Imaginem mais ou menos 80 internos, mais outras três dezenas para serem atendidas e somente, SOMENTE UM profissional médico para dar conta. Decididamente o SUS é fantástico. Os seus gestores, na sua grande maioria, é que fazem o insucesso do programa, infelizmente. Mas vamos à luta!

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