domingo, 21 de junho de 2015

"Arraiá do Mairi"!

De cara gostei! Tivemos ontem uma prova de que, de braços cruzados, não iremos a lugar nenhum! A sociedade brasileira tem de se conscientizar de que nem só o Poder Público tem obrigações a cumprir. Na ausência deste, a sociedade organizada pode sim fazer muita coisa. O mais recente exemplo foi a realização da festa de São João em nossa cidade. Ainda que eu continue discordando de algumas contratações, a intenção desse post é mostrar e elogiar a coordenação formada com o intuito de realizar o evento. Deu certo. Muito certo! Fica o exemplo de que podemos fazer qualquer coisa acontecer em qualquer área onde o poder público, por alguma razão, se faça ausente. Como aperitivo, antes de começar realmente o Arraiá, tivemos o desfile pelas principais ruas de Mairi, do bloco, grupo de amigos, "agremiação", enfim, qualquer nome que que a pessoa queira dar, ao animado grupo comandado pelo Zé Navarro, com o mais puro forró pé de serra, denominado "Chá com Bolacha", nome que remete aos velhos tempos da nossa política, e que Zé Navarro, com  inteligência e espírito satírico, pegou a deixa e montou esse animado grupo. E na apresentação de ontem teve até Estandarte! Isso quer dizer que "para o ano sai melhor", esperamos. Muito divertido! Outro ponto a elogiar: a apresentação da Quadrilha Arrocha o Nó, de Angico! A parte "tradicional", aquela que conhecemos como quadrilha junina com as evoluções, perfeita! A dúvida que tenho, e comecei a ter essa dúvida já na Praça da Bíblia na semana passada, com a apresentação da quadrilha comandada por Tutu, é quanto a inserção de ritmos absolutamente estranhos ao momento, como o arrocha, axé e até música gospel! Confesso que não entendi e não entendo qual a relevância dessa pobre e desvirtuada mistura! A quadrilha Arrocha o Nó, ontem, na hora do "Grande Baile" repetiu a fórmula! Mais uma vez quero lembrar às pessoas que tanto trabalho têm para organizar uma quadrilha, e tanto a regida por Tutu quanto a Arrocha o Nó, no quesito sincronismo e entrosamento estavam absolutamente perfeitas! Não sei por quê apelaram para o modismo, tempero absolutamente dispensável quando nos propomos a resgatar a Cultura. A quadrilha do Angico foi mais longe: no Grande Baile, encerramento da apresentação, fez incursões pelos mais variados ritmos brasileiros, mas em nenhum deles identificamos alguma manifestação cultural! Apenas modismo como o arrocha, reggae, axé, etc. Quero deixar uma dica para as duas quadrilhas, principalmente a do Angico que, a meu ver, esteve melhor organizada: se querem diversificar, e concordo com isso, aproveitem as manifestações culturais do Brasil e tragam para a apresentação. Como o tempo é curto pra resumir o Brasil, peguem então as manifestações culturais do Nordeste, como o Bumba Meu Boi, o Frevo e o Maracatu, por exemplo, e levem para a apresentação. Aí alguém pode perguntar: "Frevo? Mas tem a ver com São João"? Diretamente, não! Mas é inegável o seu valor na cultura nordestina. Sem contar que o ritmo e o andamento é igual ao forró que motiva as quadrilhas. Quer ver um exemplo? Cante o frevo "Varre varre vassourinha" e depois "Eu quero ver pega pega no salão..." ou ainda "Eu fiquei tão triste, eu fiquei tão triste naquele São João..."! Não é o mesmo andamento? Então, porque não aproveitarmos a nossa real manifestação cultural que nunca sairá de moda, em vez de valorizar uma moda que, como tal é tão efêmera? De resto, parabéns aos organizadores do "Arraiá do Mairi", aos organizadores e comandantes das quadrilhas e ao Zé Navarro, que com sua marca registrada, a irreverência, nos presenteia com um grupo absolutamente divertido e gostoso de participar. Que venha 2016!

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