terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Rio da Integração!!

Ao pé da letra, é o nosso querido "Velho Chico"! Mas nesse caso específico, estou falando de outro rio que, como o "Velho Chico", agoniza. Sou saudosista assumido e por isso resolvi escrever ou descrever a saudade que me peguei sentindo esses dias, do meu querido Rio Jacuípe!! Numa dessas noites de insônia fiz uma viagem ao passado, como quem coloca uma velha película cheia de "cortes" e colada com fita "durex" pra continuar a assistir. Fiz isso: não utilizei "durex" mas os fragmentos de maravilhosas lembranças vividas no Poço do Angelim, onde, no verão, as populações de Mairi, Angico, Serrolândia e Várzea do Poço, como que combinado, encontravam-se lá. A agonia começava ainda no sábado na hora de comprar "as carnes do feijão" que preparávamos para levar pro rio, sob a organização do saudoso Chiquinho da Pipoca ou, mais tarde, Frans Pop Show!! Domingo cedo Neca Lavandeira, com a caminhonete de Zezito do Couro nos levava pra Manguinhas, nosso Paraíso. Antes de chegar no Jacuípe, uma passadinha em João Gabino, no Angico, pra "queimar o dente" com uma caninha das boas. "Anda, anda logo que quando chegar lá não vamos encontrar sombra..."! Sempre alertava Chiquinho, referindo-se à frondosa copa do Angelim que fornecia enorme sombra, mas devido ao grande movimento corria-se o risco de perder o "cantinho"! Eu levava um violão e era só descermos do carro pra nos atirar nas águas deliciosas do Poço do Angelim!! Havia como que um "acordo de cavalheiros" não escrito e nem verbalmente firmado, em que os rapazes de Várzea do Poço toleravam as paqueras das suas conterrâneas conosco, também porque fazíamos "vista grossa" para suas paqueras com nossas meninas. Perfeito! Sol escaldava e a gente na água. Aí a treita: quem se arrumava (com uma namorada) procurava sempre um lugarzinho um "cadim" mais fundo pra..., digamos, "fazer os corpos ficarem mais leves", por obra das duas "químicas": a corporal e a Química Ciência, Densidade dos líguidos..., por assim dizer!! E com o barulhinho das águas cúmplices do Jacuípe embalando dois corações em brasa, não havia nesse mundo de meu Deus quem fizesse maiores juras de amor! O mais engraçado é que, analisando hoje aquela situação, os "ficantes" atuais seriam considerados prostitutos! Estou falando da "liberdade" que não era tanta...! As garotas mais "espevitadas" permitiam, no máximo!!!!!,  que sua mão esbarrasse muito rapidamente nos seus seios!! Pureza total, pra agonia dos marmanjos que não se aguentavam. Às vezes me pergunto como vez por outra alguém aparecia ligeiramente..., quero dizer..., um tantinho grávida!!! "É coisa de "encanto" das águas ou Boto Cor de Rosa..."! Será que tem Boto no Jacuípe? Ôxe...!! Mas vá vendo...!! (kkkkk). Nos dias de festa em Várzea do Poço, aliás, é o melhor carnaval da região até hoje, sempre éramos bem recebidos: um amigo em comum que ainda hoje vive naquela cidade e que tive o prazer de reencontrar depois de décadas, Tio China, fazia qualquer coisa pra reunir a turma para uma boa roda de samba!! Minha primera cidade visitada foi Varzea do Poço. Meu pai, compadre de Mestre Silvino, cabeleireiro de mão cheia, toda sexta-feira me levava prá lá. Madrinha Biú, pequenina no tamanho e gigante na bondade, sempre me recebia com todo o carinho. Meus primos Nôca e Vado sempre me levavam pra "tenda" de padrinho Silvino onde havia também uma mesa de bilhar. Aí é que eu não deixava ninguém jogar! Tudo isso aos 5 ou 6 anos, já que aos sete mudei para Mairi. Lamentável ter passado recentemente pelo povoado de Manguinhas e em visita ao meu querido Poço do Angelim meu coração sentiu-se perfurado. No instante que olhei em volta e nada daquilo que vivi na minha adolescência estava lá, considerei-me um estranho, sem passado e sem futuro. Força nenhuma, nem a estúpida força humana vai me fazer desistir de considerar o Rio Jacuípe o Rio da Integração..., da minha integração, pelo menos. Ainda tenho o mesmo amor por Várzea do Poço, Angico, Manguinhas, Serrolândia, etc., justamente porque, graças ao Rio Jacuípe pude conhecer e conviver com as pessoas que como eu, buscavam a paz e a harmonia que só nosso saudoso Poço do Angelim nos proporcionava. Que consigamos salvar nossos rios e que as lembranças também não morram!!

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