sexta-feira, 9 de maio de 2014

Saudade: como dói!

A Saudade que dói!!
Hoje eu entendi o meu amigo Luis Carlos Celante da Silva, quando em suas belas  poesias tendo como tema ou inspiração a saudade, ele faz o peito velho doer!! Se você olhar direito, há saudade em qualquer coisa: desde aquele lápis que você molhava a ponta com a língua para escrever, até aquela camiseta que sua mãe lhe presenteou e que está puída, mas você insiste em não se desfazer dela!

Hoje, tive uma missão gratificante: levar um documento protocolado para a Agência Centro do Banco do Brasil, no Comércio. Fiquei feliz e imaginando como seria voltar, após vinte e sete anos e três meses, ao lugar que me proporcionou grande parte das coisas boas que aconteceram em minha vida. Quando entrei no Banco do Brasil, janeiro de 1976, minha vida tomou outro rumo, sem eu mesmo perceber. Por mais que eu tentasse não aceitar aquelas mudanças na minha vida, no meu jeito de ser, elas  estavam sendo impostas naturalmente pelo Banco. Voltando à data atual, quando cheguei  hoje, no quinto andar do prédio da Agência Centro, no Comércio, antes da sala aonde entregaria o documento, parei por um instante no corredor e, olhando a Baía de Todos os Santos, do alto, como fazia há vinte e sete anos atrás, não contive a emoção: quase chorei!! Saí do Banco do Brasil em fevereiro de 1987, portanto, há vinte e sete anos!! Pode parecer o tempo de uma aposentadoria, uma eternidade. E é: prá quem passou os melhores anos da sua vida dentro de prédios que foram responsáveis por mudanças tão grandes na sua vida, prédios recheados de funcionários que foram responsáveis pelo seu crescimento intelectual e social, aí a gente vê o quanto essa instituição foi importante. No Banco do Brasil, aprendi o sentido exato da palavra  tolerância, visto que convivi com pessoas dos mais diferentes cantos desse País. Não pude me conter quando cheguei ao quinto andar da agência Centro  que, além de tudo, foi a responsável pela minha contratação. Era lá que funcionava  o Centro Médico. Portanto, todos que eram aprovados em concursos, passavam pelo Centro Médico para os Exames Pré admissionais. Em dezembro de 1975, chego à Agência Centro do BB na Avenida EEUU, no Comércio, para os tais exames. Hoje me lembrei perfeitamente daquele dia: entrei no elevador que parara no térreo às 16:00 hs e aguardei. O grande barato é que nunca havia tomado um elevador na vida, até aquele dia!!  Aliás, havia descido o Lacerda, só que havia uma ascensorista que informava o “sobe”e “desce” da cabine. Entrei e fiquei aguardando o “bicho” se mover e o que ouvia era uma voz de alguém que não se mostrava, dizendo: “feche a porta, por favor”, o tempo todo. Já estava meio constrangido quando alguém entra e aperta algum número num painel bonito e a porta se fecha! Pensei: “Ah!! Tem de apertar um  número”!! Aí, depois que paramos no nono andar, a voz feminina que vinha não sei de onde, informava: “elevador descendo”! Aí apertei o número quatro, andar do Centro Médico. Desci, fiz os exames e fui, felizmente,  aprovado. Detalhe: nessa tarde, subi e desci umas dez vezes do quarto ao nono andar, achando que estava gozando com aquela “moça” que falava comigo!! Lembrei-me de tudo isso hoje, em menos de dois minutos, tempo que aproveitei no corredor do quinto andar para olhar a Baía de Todos os Santos e passar os filmes dos transatlânticos ancorados no porto, algumas festas à bordo que assistia de “camarote” quando trabalhei à noite, e o burburinho quando algum navio estrangeiro atracava no porto e a cambada descia quase se atropelando nas escadas, para conhecer, principalmente, o Pelourinho e ver de perto “o quê é que a Baiana tem?”!! Nos meus felizes dias de Banco do Brasil, Agência Centro, no sexto andar onde funcionava a Compensação de Cheques, setor onde trabalhei, sempre vi o ir e vir dos turistas que chegavam pelas águas da Baía de Todos os Santos. Nesses dois minutos aproximados em que parei no corredor do quinto andar, percebi todos esses momentos! Percebi, também, meus olhos marejados e, principalmente, percebi a vontade de ser o Homem Borracha para, com suas habilidades, esticar os braços e envolver aquele prédio que moldou a minha vida e envolvê-lo num abraço de gratidão e de amor! Se tenho algum cabedal de conhecimento, esse crédito é, certamente, do BB!! Mais ou menos na metade do corredor do quinto andar ficava a sala à qual teria de me dirigir e entregar o documento. “Toc toc” tradicional e entro no recinto. Foi aí que vi que o meu Banco do Brasil havia ficado num tempo lá atrás. Tempo em que o calor humano valia mais que a atual nota de cem reais. Do alto da sua “competência”, a funcionária recebeu meu livro de protocolo, assinou sem me olhar e mo devolveu. Bom, desejei-lhe um bom fim de semana e saí. Foi então que percebi que a frieza de alguns funcionários do BB hoje, condizem com o gélido ar que emana dos seus pomposos aparelhos “Split” que imaginei estarem ali para abreviar a presença de saudosistas como eu, que ainda levam muito calor humano para uma casa que você percebe não mais ser sua.  Uma pena!!

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