sexta-feira, 7 de março de 2014

"FAVELA": O que significa?





AS FAVELAS, 
COMO  HOJE  AS  CONHECEMOS,
E  AS  SUAS  ORIGENS!

Favela, com o Cristo Redentor ao fundo

Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de "FAVELAS"?
Muita gente acha que é um nome indígena, ou qualquer coisa assim, mas a história é bem mais interessante, do que isto.
A origem do nome "FAVELA" remete a um fato marcante, ocorrido no Brasil, na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos.
Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta espinhenta, e extremamente resistente às secas, chamada "FAVELA"

 
FAVELA (Cnidoscolus phyllancatus) - Produz óleo comestível e combustível

 
Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro, milhares de sertanejos, cansados da humilhação e dificuldades de sobrevivência, num Nordeste tomado de latifúndios improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa, em que viviam.

 
Mapa da região de Canudos - Bahia

 
Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do "MORRO DA FAVELA", assim batizado em homenagem a essa planta.
Estátua de Antonio Conselheiro zela pela Nova Canudos
A cidade original foi alagada, para a construção de um açude
Morro da Favela, em dois momentos:
Guerra de Canudos (esquerda) e atualmente (direita)

 
Com medo, de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada no país, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos com milhares de mortes, torturas e estupros em massa, num dos mais negros e sangrentos episódios da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.
 
Quando os combatentes republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber os seus soldos (salários) do exército e, por falta de condições para uma vida mais digna, se instalaram em casas de madeira, sem nenhuma infraestrutura, nos morros da cidade (o primeiro foi o atual "Morro da Providência"), ao qual passaram chamar de "FAVELA", relembrando as péssimas condições, que haviam encontrado na sofrida Canudos.

 
Morro da Providência, em foto antiga. Onde tudo começou...

 
                                              Morro da Providência, atualmente
Este tipo de sub-moradia já era utilizado, há alguns anos, pelos escravos libertados que, sem mínimas condições financeiras para viver na cidade, passaram também a habitar as suas encostas.
O termo pegou e todos esses agrupamentos passaram a chamar FAVELAS.
 
Mas, existem vários "mitos" sobre as favelas, que precisam ser avaliados:

01 - Costuma-se achar que as maiores favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do planeta.
México, Colômbia, Peru e Venezuela lideram o ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.

 





Vista aérea da favela de NEZA, nas proximidades da Cidade do México.
A maior do mundo, com mais de 2,5 milhões de habitantes
 
02 - Outro engano comum é se achar que as favelas são um fenômeno exclusivo do chamado "terceiro-mundo", restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de que, em quantidade bem menor, países desenvolvidos como, a Espanha também têm suas favelas, chamadas por lá de "Chabolas".
Chabolas madrilenhas, as favelas espanholas

 
03 - E um terceiro mito é o de que as favelas apenas aumentam, não importando o que os governos façam. A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro. O caso mais famoso é o da favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo.
Favela da Catacumba, na década de 60. Hoje, parque e prédios de luxo ocupam o espaço.
Diz-se que antigamente, no local, existia um Cemitério Indígena.

 
ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ

 
Vista do Morro da Babilônia, com o Corcovado ao fundo

 
Babilônia
A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levaram os moradores a compararem o local com os "Jardins Suspensos da Babilônia".
Rocinha

 
Rocinha
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929, que levou vários produtores de café à bancarrota, o  terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam toda a sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade.
Quando os clientes perguntavam de onde vinham as verduras e os legumes, diziam: "- É de uma tal Rocinha, lá no Alto da Gávea"
Morro da Mangueira

 
Mangueira
Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro que, na época, ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: "Em breve neste local, Fábrica de Chapéus Mangueira". A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.
Morro do Vidigal

 
Vidigal
Em homenagem ao dono original do terreno, onde hoje se localiza a favela, o major Miguel Nunes Vidigal, figura do exército, muito influente durante o Império.

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