quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Qual Título Poderia Dar?

 Pessoal, ontem à noite vivi um momento de extremo desencanto com o nosso Estado e com o nosso País!! Assisti ao programa Câmera Record na íntegra e, como baiano e brasileiro, me senti um lixo. Proporcionalmente, foi o maior roubo da história do Brasil! O excelente programa investigativo foi feito em Pilão Arcado (BA), na nossa caatinga. A região é extremamente seca, não produz nada em termos de agricultura e pecuária, restando apenas a criação de uns poucos caprinos, mais resistentes à seca. Primeiro, criminosamente, o prefeito pune quem nele não votou retirando as bombas dos poços artesianos. Uma comunidade se cotizou e comprou bomba nova e canos, num investimento de R$1.100,00 (hum mil e cem reais) que, pasmem, foram CONFISCADOS pela Prefeitura com apoio da Polícia Militar! A situação está mais ou menos assim: empregada doméstica é dona, sem ter conhecimento, de uma empresa que supostamente forneceria produtos de informática à Prefeitura, num contrato mostrado pelo repórter, de mais de meio milhão de reais!! Um empacotador de um supermercado do irmão de um vereador, é também "empresário", com contrato da ordem de aproximadamente um milhão de reais!! Outra empresa, com sede em São Paulo (Qualitee), com contrato de aluguel de veículos no valor de R$2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais) que uma das donas da empresa não soube quantificar nem mais ou menos o total de veículos locados!! Mas, onde estarão os carros? O repórter não encontrou um sequer! Procurado quem abasteceria esses veículos, o dono do posto de gasolina, que também é cunhado do prefeito, tem um contrato de fornecimento de cobustíveis também na casa dos dois milhões de reais!! Observe que todos os cotratos tinham cópias nas mãos do repórter. Na saúde, outra roubalheira: a vendedora de passagens das duas empresas de ônibus que passam por Pilão Arcado, é também a dona da empresa, essa confirmada, que fornece passagens à Prefeitura para deslocamento para Juazeiro e/ou Salvador. Ocorre que, sem saber que estava sendo gravada e no guichê das empresas, ela falou que "ali não dava passagem a ninguém não"! Já na sua empresa informou que era "possível conseguir passagem junto à Secretaria de Saúde"! O valor do contrato? Mais de um milhão de reais também!! O engraçado é que de todas as pessoas entrevistadas, ninguém sabia desse benefício ou já tinha conseguido viajar alguma vez. Uma senhora de 83 anos tinha de fazer a opção cruel: comprar os remédios ou a água? Sua filha, que ganha R$150,00 por mês, prefere comprar um carro pipa para sua mãe mensalmente a vê-la morrer à míngua! Agora eu lhes pergunto: esse tipo de crime deveria ter qual enquadramento? Roubar descaradamente desse jeito e promover a miséria do povo como vem acontecendo há 16 anos (8 anos como vice e oito como Prefeito) esse sujeito merecia que tipo de pena? Quem é mais bandido e cruel, os chamados Black Block ou um sujeito que, por ganância tira tudo de um povo que nada tem? O que é mais cruel, uma depredação ou uma dilapidação sistemática do sustento de um povo que depende basicamente de verbas federais e estaduais para sua sobrevivência, mas que é abocanhada na sua totalidade por um grupo de bandidos e assassinos? São assassinos sim, porque o desvio das verbas que deveriam chegar aos munícipes, certamente já provocou a morte de várias pessoas por falta de assistência! O que dizer de um prefeito que mantém contrato com uma senhora que vende, num estabelecimento minúsculo, panelas e bacias, mas que consta como fornecedora de materias para implantação e funcionamento de poços artesianos? Pelo menos o órgão responsável pela fiscalização da aplicação das verbas nas prefeituras e a Polícia Federal já estão tomando as providências. Um advogado que tem uma Ong que investiga prefeituras sob suspeita, declarou que dos cinco mil municípios existentes, aproximadamente setenta a oitenta por cento, no mínimo, desviam dinheiro público, num prejuízo que, segundo ele e com base nos cálculos feitos em Pilão Arcado, dá um rombo anual de mais trinta bilhões!! Já imaginaram? É como se eu, fucionário público, levasse para casa 10 mixurucas folhas de papel ofício para meu filho levar para a escola. Levando-se em conta que trabalho com mais oitenta colegas e que todos têm essa prática, só no meu local de trabalho quanto de papel seria subtraído? Agora, se fizermos essa conta entre todos os órgãos municipais, estaduais e federais...!! Entenderam? Procurem no site da Record o pograma de ontem, 19/02 e assistam. (www.r7.com/camera-record).

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