segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Começando a Semana com Millôr!!




                                               SÉCULO XXI... 
                                                                                                            Autor desconhecido
Certo dia, um filho pergunta ao seu pai:
- Pai, como é que foi que eu nasci?

- Muito bem meu filho, chegou o momento de falar disso, pois então vou
explicar o que você deve saber:

Um dia, o papai e a mamãe entraram no Facebook, fizeram amizade e
ficaram amigos. Depois o pai mandou um e-mail à mãe para se
encontrarem num cybercafé. Descobrimos que tínhamos muitas coisas em
comum e que nos entendíamos muito bem. Quando não estávamos à frente
do laptop, conversávamos no chat do iPhone. Desta forma, fomo-nos
conhecendo e nos apaixonamos, até que um belo dia decidimos partilhar
os nossos arquivos. Entra
mos escondidos numa lanhouse e o papai
introduziu o seu Pendrive na entrada USB da mamãe. Quando começou o
download dos arquivos, nos
demos conta de que tínhamos esquecido do software de segurança e que
não tínhamos Firewall. Já era tarde demais para cancelar o download e
impossível apagar os arquivos baixados.

Passados nove meses apareceu você...o Vírus...
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AGORA VEJA COMO ERA NO SÉCULO XX...mais poético!!!


Poesia Matemática
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Texto extraído do livro "
Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

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