quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A "Pingueira" que me venceu!

Chuva... Ah!!! Como é bom! Quanto alívio e esperança traz para o mundo. Principalmente se esse mundo é o Nordeste, tão castigado pela estiagem d'água e de bons políticos!! Mas "quando Deus quer é assim": chove a noite toda. Tomara que pras bandas de Mairi e outros municípios que sofrem com a estiagem ela tenha passado nem que saiba "para um dedim de prosa"! Os nordestinos do interior certamente ajudariam a florescer os maravilhosos frutos da próxima colheita, com a "água" que sempre corre pelos seus rostos como cahoeiras desenfreadas, de tanta felicidade em dias de chuva. No Nordeste o único "tanque" que nunca seca são os olhos do seu povo: se tem chuva, tem lágrimas no rosto sofrido e marcado pelos sulcos da "erosão" de anos de sol e sofrimento; se falta chuva, tem lágrimas abrindo novas "erosões" na face castigada e riscada pela dor; se tem comício com promessa de acabar a seca, tem nova lágrima de esperança que se renova por todo o sempre; se a promessa não é cumprida, e nunca foi, nova lágrima de desgosto por ter sido, novamente, ludibriado por doutores tão indiferentes ao sofrimento alheio...!! Assim é a vida do nordestino. Por isso bendigo a chuva que caiu em Salvador a noite toda. Só tem um "porém": morar em casa de telha sem forro tem suas compensações, como quando vemos uma bela moça com uma blusa semi transparente sem fazer uso do "califon": é colírio para os olhos e frescor para a alma, como o frescor produzido pela casa de telha sem forro, muito embora nos dois casos possa aparecer um "cisco" e nublar tão belas visões. Há também, na casa de telha, o inconveniente da necessidade de retelhamento constante. O vento e alguns gatos boêmios, às vezes tiram as telhas do lugar, deixando buracos por onde passam os raios de sol e lua. Por onde também passam, em dias ou noites chuvosos como esta última, algumas goteiras. Acordei com o barulho inconfundível (toc) de um pingo d'água no colchão. Esperei..., nada. Foi só um pingo, pensei. "Toc... Toc"...! Acendi a luz e vi o colchão molhado e imediatamente veio-me a recordação de moleque quando mijava na cama e D. Matilde me pegava de jeito. Botei uma vasilha plástica em cima da cama como todo mundo faz. Apaguei a luz e... "toc"! O barulho não era de pingo d´água em vasilha! Levantei novamente e a goteira estava "passeando" pelo meu colchão novo que só paguei a primeira pestação. Apanhei uma panelinha de alumínio e posicionei no lugar da pingueira. Fui dormir. Minutos depois..."toc", "puf"! Como a chuva às vezes ficava muito forte, notei que a pingueira-mãe havia chamado a prole para brincar no meu colchão novo. Fui ao armário que também comprei fiado, apanhei tudo que restava de vasilha plástica e panelinha de alumínio e distribui sobre a cama. Deu certo: o colchão parou de ser "incomodado" mas eu tive de ficar sentado até amanhecer. Daí liguei o computador e resolvi contar pr'ocês o preço que se paga por morar numa casa de telha sem forro, apesar de fresquinha no verão. Ah! Ia-me esquecendo: não faltaram ciscos caindo do telhado. Como a jovem de blusa transparente, é bonito de se ver. Mas o ônus que se paga às vezes é muito grande.

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