quinta-feira, 25 de julho de 2013

O General Falou e Disse!!

Ainda há aqueles que abominam até hoje a época em que vivemos sob o regime ditatorial! Tá bom; aconteceram excessos, é verdade. Mas quantos "excessos"  nos dias de hoje serão necessários para entendermos de vez que o Regime Militar não foi o grande mal do Brasil como alguns ainda berram? Quantos excessos ainda terão de ser cometidos para que nossos professores deixem de levar cadeiradas no rosto, socos e ponta-pés em plena sala de aula? Quantos excessos ainda terão de ser cometidos para a sociedade repudiar veementemente o Auxílio Reclusão, sob a bandeira de proteger o filho do detento, mas que deixa os filhos da vítima abandonados à própria sorte? Quantos excessos ainda terão de acontecer para que político ladrão e condenado não seja eleito e nem atue como "julgador" dos próprios crimes? Saímos às ruas soltando fogo pelas narinas e conseguimos apenas nos tornar um arremedo das "Mães da Praça de Maio",  por exemplo, que não sossegou enquanto a ditadura argentina não deu conta pelo menos dos restos mortais dos seus filhos!! Somos realmente "fogo de palha". O desabafo abaixo me dá razão.


  A NOSSA LIBERDADE

(GEN. PAULO CHAGAS*)

Liberdade para quê?

Liberdade para quem?

Liberdade para roubar, matar, corromper, mentir, enganar, traficar e viciar?

Liberdade para ladrões, assassinos, corruptos e corruptores, para mentirosos, traficantes, viciados e hipócritas?

Falam de uma “noite” que durou 21 anos, enquanto fecham os olhos para a baderna, a roubalheira e o desmando que, à luz do dia, já dura 26!

Fala-se muito em liberdade!

Liberdade que se vê de dentro de casa, por detrás das grades de segurança, de dentro de carros blindados e dos vidros fumê!

 Mas, afinal, o que se vê?

Vê-se tiroteios, incompetência, corrupção, quadrilhas e quadrilheiros, guerra de gangues e traficantes, Polícia Pacificadora, Exército nos morros, negociação com bandidos, violência e muita hipocrisia.

 Olhando mais adiante, enxergamos assaltos, estupros, pedófilos, professores desmoralizados, ameaçados e mortos, vemos “bullying”, conivência e mentiras, vemos crianças que matam, crianças drogadas, crianças famintas, crianças armadas, crianças arrastadas, crianças assassinadas.

 Da janela dos apartamentos e nas telas das televisões vemos arrastões, bloqueios de ruas e estradas, terras invadidas, favelas atacadas, policiais bandidos e assaltos a mão armada.

 Vivemos em uma terra sem lei, assistimos a massacres, chacinas e sequestros.

 Uma terra em que a família não é valor, onde menores são explorados e violados por pais, parentes, amigos, patrícios e estrangeiros.

 Mas, afinal, onde é que nós vivemos?

Vivemos no país da impunidade onde o crime compensa e o criminoso é conhecido, reconhecido, recompensado, indenizado e transformado em herói!

 Onde bandidos de todos os colarinhos fazem leis para si, organizam “mensalões” e vendem sentenças!

 Nesta terra, a propriedade alheia, a qualquer hora e em qualquer lugar, é tomada de seus donos, os bancos são assaltados e os caixas explodidos.

 É aqui, na terra da “liberdade”, que encontramos a “cracolândia” e a “robauto”, “dominadas” e vigiadas pela polícia!

 Vivemos no país da censura velada, do “micro-ondas”, dos toques de recolher, da lei do silêncio e da convivência pacífica do contraventor e com o homem da lei.

 País onde bandidos comandam o crime e a vida de dentro das prisões, onde fazendas são invadidas, lavouras destruídas e o gado dizimado, sem contar quando destroem pesquisas científicas de anos, irrecuperáveis!

 Mas, afinal, de quem é a liberdade que se vê?

Nossa, que somos prisioneiros do medo e reféns da impunidade ou da bandidagem organizada e institucionalizada que a controla?

 Afinal, aqueles da escuridão eram “anos de chumbo” ou anos de paz?

 E estes em que vivemos, são anos de liberdade ou de compensação do crime, do desmando e da desordem?

 Quanta falsidade, quanta mentira quanta canalhice ainda teremos que suportar, sentir e sofrer, até que a indignação nos traga de volta a vergonha, a auto estima e a própria dignidade?

 Quando será que nós, homens e mulheres de bem, traremos de volta a nossa liberdade?



* Paulo Chagas é General da Reserva

do Exército do Brasil.

09-07-2013

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