sábado, 13 de abril de 2013

A Festa de Formatura.

Meus caros, como gosto de brincar com coisas sérias, participei orgulhosamente da formatura de minha filha Betinha, hoje, 13.04. Pois bem, não poderia deixar de dizer uma coisas sobre essa data tão importante. E o fiz do jeito que melhor me comunico: Escrevendo! Vejam abaixo o cordel que criei logo após a cerimônia. (Aos Gramáticos de plantão, notem que o linguajar é essencialmente matuto).


                             Festa de formatura
                                            Formato: Cordel, por Orlando Araújo / 13 de abril de 2013

Foi numa dessas casas grandes
Acho que o nome é “Reitoria”
Com mais de cinquenta janela
Quatro ou cinco portaria
Escada bem trabalhada
Em todo hall de entrada
Grande sucesso fazia
Vi uns ficar de boca aberta
Querendo dizer na certa
“Que construção...!! Que primazia!!”
                    
Formatura: o nome já diz:
Dia de todos feliz
Pra receber o diploma
Mas não é tão fácil assim
Pro matuto aguentar
Duas, três horas de aperreio
Feito burro no arreio
Dá inté pra imaginar
Gravata enforcando e o cabra
Doido praquilo se acabar.
                            
É um converseiro danado,
Formando fotografado
Fazendo pose de galã
Gente pra lá e pra cá
Como se não soubesse andar
Parecendo alma pagã
E eu no mêi daquilo tudo
Pensando já carrancudo:
“Isso vai inté amanhã...”
                  
No fim, é tudo alegria
Pois  tudo que eu mais queria
Era ter um filho Dotô!
E esse dia sim, chegou!!
Pra mim e pra outros pais
Que trabalharam demais
Com intenção de vencer
E foi uma  festa bonita
Daquelas que fica escrita
No coração de qualquer ser

O problema é a demora
De arrumar os Formandos
Quando acham dois ou três
Tem mais de vinte faltando
E o Mestre de Cerimônia
Já sem muita parcimônia
No microfone a falar
Mas é grande o burburinho
De irmão, sogra e padrinho
E nada de começar.
                      
Eu, matuto, desconfiado
Inté no pescoço apertado
Sentia o corpo molhar
Aí me deu uma gastura
Que pensei: “ da Formatura
Não vou mais participar”...
Fiquei apalpando a camisa,
Ajeitando o paletó
E vi que  tava suado
Do pescoço ao fiofó.
                
 Pra tristeza me disseram:
“O ar condicionado quebrou!!”
E eu pensei: “justo hoje
Que empacotado eu estou”?
Fechei os olhos, pedi ao céu
Proteção pra me acalmar
E pedi pra todo santo
Não faça eu me “apertar”
Que na hora do “serviço”
No mêi desse reboliço
Onde é que eu vou mijar?
                 
Lugar granfino é assim mesmo:
Portas grandes, trabalhadas
Mas nenhuma delas diz
Onde é “despensa”, onde é “privada”.
Só quem tá acostumado
A sempre se fazer presente
Pode inté de ôi fechado
Achar esses ambiente
Mas matuto? Qual o quê!!
Inda mais com tanta gente?
                        
Começou a cerimônia
E eu fiquei todo contente
Minha moça Elizabeth
Que formava com os presentes
Muito linda e caprichosa
Tava linda e radiosa
Encarou o povo de frente
Fez discurso caprichado
Daquele jeito arretado
Como só faz os competente!
                 
Veio a Colação de Grau
Com as famílias reunidas
Desde a mocinha às mais velhas
Todas muito decididas
Deram um passo adiante
E vira naquele instante
A vitória merecida
Receberam seus anéis
Assumiram seus papéis
Na Contabilidade da vida.
                
Feito isso a cerimônia
Foi dada por encerrada
Vieram abraços, muitos beijos,
Felicidades desejadas
Pra todos, só alegria
Pois também ganha a Bahia
Nova turma de “dotô”
E com orgulho lhes digo
Milha filha, Ó Deus bendito!!
Tava no mêi sim sinhô!!
                 
Cheguei em casa e comecei
A lembrar o que passei
Depois de tantos anos
De terno novo me arrumei
Pra agradecer a Deus Pai
Essa Graça que não vai
Do meu coração sair
Pois vi o grande valor
Da minha filha, sim sinhô,
Labutar e conseguir!!

(Formatura da turma de Ciências Contábeis da Faculdade Castro Alves – Reitoria da UFBA, 13 de abril de 2013)

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