quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Amaury Teixeira: O Aluno Aplicado!

Os garotos de hoje em dia, quando chegam em casa com dois celulares e os pais são informados por eles que "achei ali na rua..." são considerados "muleque de sorte!!", ou "esse menino acha é coisa!!!" Bem ao contrário da criação da minha geração onde o moleque recebia um troco por ter feito um favor a alguém e o pai ou a mãe, imediatamente pegava-o pelo braço para confirmar a veracidade da história contada. Não raro os pais do moleque diziam "Sêo Fulano, se precisar, pode mandar ele dar os recados mas NÃO DÊ dinheiro a ele pra não ficar mal acostumado!!" Essa era a maneira correta de se educar os filhos. Hoje, bem, lembrando a educação "moderna" o Deputado Federal Amaury Teixeira, do PT e filho de Jacobina, agiu como os filhos de hoje em dia: "furtou" o painel que fazia alusão ao Mensalão e levou para a liderança do partido. Começa assim: hoje um painel, amanhã ... Só Deus sabe! A revista Veja registrou tudo. Leia abaixo.

Congresso

Deputado petista 'rouba' painel sobre mensalão na Câmara

Amauri Teixeira não gostou de protesto do DEM para ironizar a omissão ao escândalo em exposição na Câmara. A placa foi parar na liderança do PT

Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília
Deputado Amauri Teixeira tratou de dar um 'sumiço' no painel do mensalão
Deputado Amauri Teixeira tratou de dar um 'sumiço' no painel do mensalão (Ed Ferreira/Estadão Conteúdo)
O que era para ser um ato de protesto da oposição se transformou em tumulto - mais um - na Câmara dos Deputados. O DEM resolveu incluir, em frente ao painel que lembra os 33 anos do PT, uma referência ao escândalo do mensalão, já que o ano de 2005 foi excluído na exposição montada nos corredores da Casa para marcar o aniversário da sigla. A imagem elaborada pelo DEM reúne capas de jornais e revistas na época do escândalo e contém uma breve descrição do episódio.
Mas a manifestação irônica não durou muito. Segundos após o pano vermelho que cobria a placa ser descerrado, enquanto os parlamentares da oposição ainda posavam ao lado ao painel, o deputado Amauri Teixeira (PT-BA) resolveu retirar o estandarte do lugar. Com a ajuda de José Márcio Ribeiro da Costa, chefe de gabinete da liderança do PT, ele removeu o painel.
O petista, que na semana passada havia tentado expulsar, aos berros, a blogueira cubana Yoani Sánchez do plenário, ainda quis tirar satisfações com assessores que, em meio ao tumulto, o chamaram de "mensaleiro". Os deputados Felipe Maia (DEM-RJ) e Edson Santos (PT-RJ) quase partiram para as vias de fato em meio ao empurra-empurra. Cláudio Cajado (DEM-BA) também se desentendeu com Amauri Teixeira.
"Nós sempre respeitamos qualquer manifestação que tenha nesse corredor. Estou retirando da frente do painel do PT. Na frente, nós não aceitamos", disse Amauri, enquanto removia a placa. Mas, em vez de apenas retirar o painel do corredor, o deputado e seu assessor esconderam o objeto na liderança do PT, em outro andar.
Ao site de VEJA, após esconder a placa, José Márcio da Costa reagiu com cinismo "O painel sumiu". O líder do DEM, Ronaldo Caiado, não pretende resgatar o objeto causador da discórdia: "O painel foi dado como presente para que o PT coloque na sala do líder", ironizou.

Minutos após a confusão, o mensaleiro José Genoino (PT-SP) passou pelo local - cabisbaixo, ele se fez de desentendido quando indagado a respeito da controvérsia.
Plenário – O vergonhoso bate-boca protagonizado em frente à exposição do PT continuou no plenário na Câmara dos Deputados. Primeiro a se manifestar, o deputado Sibá Machado (PT-AC) tentou amenizar o ato do correligionário Amauri Teixeira passando a culpa adiante: afirmou que foram os democratas que criaram o tumulto ao “colocar um material apócrifo” e que foram eles que quase partiram para a agressão contra parlamentares petistas.
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) interveio: “Não é apócrifo, não. Foi reprodução de capas de revistas do ano de 2005, porque a exposição esquece o inconveniente ano de 2005”, ressaltando que não houve ataques por parte dos democratas. Enquanto o democrata falava, mais uma cena de agressão. O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) deu um tapa no microfone, tirando-o de Lorenzoni. O petista ainda chamou Lorenzoni de "canalha".
Ignorando os episódios, o líder do PT José Guimarães preferiu não comentar as atitudes de Teixeira e Ribeiro – e ainda disse estar ofendido: “Hoje nós sofremos o assédio de uma ação que nos leva ao constrangimento, como nunca fizemos com outro partido”. 


Grande Mídia e Judiciário: Mancomunados?

O jornalista do jornal O Globo, Merval Pereira, publicou um livro formado por artigos de sua autoria, escritos diariamente sobre o julgamento do Mensalão. O Prefácio foi do ex Presidente  do STF, Ministro Ayres Brito. E aí é que vem a polêmica: o Prefácio é criticado pela Advogada Maria Luiza Tonelli. Convenhamos, prefaciar um livro sobre um julgamento do qual ele (Ayres Brito) foi julgador e que não foi definido ainda, ou seja, ainda cabem recursos em alguns casos e a ação ainda não transitou em julgado. É, no mínimo, estranho.
(Matéria extraída do site Conversa Afiada, do Jornalista Paulo Henrique Amorim)


Extraído do Viomundo:

MARIA LUIZA TONELLI: PREFÁCIO DE AYRES BRITTO É IMORAL

(…)

Passados dois meses do julgamento da Ação Penal 470, o jornalista Merval Pereira (aqui conhecido como Ataulfo Merval de Paiva (*) – PHA) das Organizações Globo lançou nesta semana um livro chamado “Mensalão”, com prefácio de Ayres Brito. Ora, o indivíduo que era o presidente da suprema corte do país prefaciando um livro sobre um julgamento que ainda nem teve seus acórdãos publicados?

Além disso, ainda cabe recurso em alguns casos, pois a ação ainda nem transitou em julgado. Para quem proferiu tantos discursos em nome da necessidade da “ética na política” durante o julgamento, isso é, no mínimo imoral, tendo em vista que o livro em questão não é jurídico, mas uma compilação de artigos de opinião de um jornalista publicados em jornal durante o período do julgamento.

Eis aí os indícios de uma verdadeira parceria público/privada entre um ministro do STF e mídia, a voz da oposição neste país. Uma relação, no mínimo, promíscua em termos democráticos e republicanos.

Pensava-se que não poderia haver nada mais indecoroso do que o comparecimento do ministro Gilmar Mendes ao lançamento do livro “O país dos Petralhas II”, de um blogueiro da revista Veja em pleno julgamento da AP 470. Todavia, agora há que se indagar sobre quem agiu de forma mais imoral.
De um, esperava-se que em nome da imparcialidade do julgador que não comparecesse naquele momento a um evento para privilegiar o lançamento de um livro cujo título por si só já diz para que serve, por mais que seja amigo do autor.

Do outro, esperava-se pelo menos a dignidade de esperar o trânsito em julgado de uma ação penal da qual foi um dos julgadores. A conduta de ambos coloca sob suspeita a imparcialidade na condição de magistrados.

Parafraseando aquele ditado sobre a mulher de César, aos ministros de uma corte suprema de justiça não basta a exigência de imparcialidade. É preciso que pareçam imparciais.
Em tempos de judicialização da política, quando a mídia se coloca não no papel de fiscalizadora da política, a serviço da democracia, mas da oposição, que é a minoria, fica muito claro que estamos diante de uma nova estratégia de luta política que envolve não apenas partidos políticos mas os meios de comunicação e o poder Judiciário.

Num Estado Democrático de Direito quem fala em nome do povo e quem decide os rumos do país são seus representantes eleitos. Não é este o caso do Poder Judiciário. Tampouco o da mídia.

Disputas políticas não podem, numa democracia, serem travadas sob o pretexto de uma pretensa “faxina moral” quando corruptos são sempre os adversários políticos. A política não pode ser julgada exclusivamente com critérios jurídicos e morais, mas políticos, porque Direito, Moral e Política são intercambiáveis, mas não se confundem.

Já vivemos num tempo em que tudo era política. Hoje, ao que parece, vivemos num tempo em que tudo é moral. E quando a moral, que não se confunde com a ética, quer substituir a política sabemos muito bem aonde isso pode chegar.

Maria Luiza Q. Tonelli é advogada, mestre e doutoranda em Filosofia pela USP, com pesquisasobre judicialização da política e soberania popular

"De Volta para o Passado".


Meus amigos, enquanto se discute a valorização do professor e a melhora da qualidade do ensino público, vejam o que ACM Neto está preparando para as escolas municipais de Salvador. Criticamos as atitudes do PT de Jacques Wagner e agora os professores (ô classe sofrida!!) estarão reféns do poder econômico dos mercenários do Democratas, finado PFL,  se não se fortalecerem através do sindicato da classe para debaterem com a sociedade não a melhoria dos salários, mas principalmente a real educação dos alunos para que sejam esclarecidos de fato, e não meros papagaios a repetirem "projetos" prontos onde o professor é meramente um "treinador" a serviço das empresas que vendem a peso de ouro tais projetos limitadores. Anuvia-se o horizonte educacional do Brasil!! O artigo é grande mas vale muito a pena você ler. 

(A matéria abaixo foi extraída da publicação Caros Amigos e enviada pela Pedagoga e Professora de escola municipal de Salvador, Marisa Braga!)


Educação: De pacote em pacote se desvaloriza a escola e seus profissionais


Alfa e Beto: De pacote em pacote se desvaloriza a escola pública e seus profissionais
Por Walter Takemoto
A Prefeitura Municipal de Salvador mal tinha acomodado o seu novo prefeito ACM Neto e a Secretaria Municipal de Educação, a única que manteve um secretário da trágica gestão do João Henrique, já recebia os professores que retornavam das férias, e às vésperas do carnaval baiano, com um “treinamento” oferecido para a implantação de um programa chamado “Alfa e Beto”, que consiste de materiais didáticos para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, materiais para professores e treinamento para que possam usar os mesmos em sala de aula.
Antes de tudo é preciso que se diga de onde é que surge esse material denominado Alfa e Beto.
Histórico
No inicio de janeiro de 2003, dez anos atrás, o senador ACM (avô do prefeito de Salvador), o governador da Bahia e dirigentes nacionais do PFL (partido que deu origem ao DEM do prefeito) reuniram prefeitos e secretários de educação no Hotel Fiesta para conhecerem o novo programa de alfabetização do PFL: o Alfa e Beto!

"Na época esse programa foi apresentado para a equipe técnica da Secretaria Estadual de Educação da Bahia analisar o conteúdo dos livros, e parte dos técnicos considerou problemático o material, por apresentar erros conceituais e atividades didáticas inadequadas"

Sim, o mesmo que o Prefeito ACM Neto compra agora foi lançado pelo seu avô em 2003 como o programa do Partido da Frente Liberal para erradicação do analfabetismo!
Na época esse programa foi apresentado para a equipe técnica da Secretaria Estadual de Educação da Bahia (na qual o prefeito ACM Neto atuava como assessor do secretário) analisar o conteúdo dos livros, e parte dos técnicos considerou problemático o material, por apresentar erros conceituais e atividades didáticas inadequadas, mas a decisão final foi política e não pedagógica. Na ocasião, a equipe teve como resposta do Sr. João Batista (dono do Alfa e Beto) a afirmação “não discuto com pedagogos, que são os responsáveis pelos problemas da educação”. Em seguida, esse senhor “educadamente” se levantou e jogou no lixo o parecer técnico.
Decisão Política ou Pedagógica?
Apesar do parecer desfavorável da equipe técnica, na época por decisão do senador ACM o pacote Alfa e Beto foi “implantado” em algumas escolas de Salvador, e da mesma forma que chegou às escolas “de surpresa” depois foi retirado, sem nenhuma discussão ou avaliação dos seus resultados.
E hoje, a decisão do Prefeito ACM Neto e do Secretário, herdado do João Henrique, João Carlos Bacelar é política ou pedagógica? Pretende o prefeito e o secretário comprando esse pacote educacional pronto oferecer a todos os educadores e crianças de Salvador uma escola pública de qualidade?
Inicialmente é preciso lembrar que a mesma Prefeitura de Salvador e a mesma Secretaria de Educação compraram entre 2008 e 2010, de uma editora chamada Aymará, livros didáticos (que chamavam de “literários”) para os alunos das escolas municipais ao custo de mais de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), sem licitação. Em conseqüência dessa compra, o Ministério Público abriu um processo e o Tribunal de Contas considerou irregular o contrato firmado pela Prefeitura, determinando a suspensão do que ainda não havia sido pago, um valor inferior a 10% do total, ou seja, a Prefeitura já havia efetuado o pagamento quase integral de todo o valor. Nessa época o Sr. João Carlos Bacelar assumia como secretário da educação de Salvador e declarou para a imprensa: “Não suspendi [o pagamento] por irregularidades ou coisa do tipo, a decisão foi porque o contrato não era prioritário para a gestão”. Ou seja, o atual secretário considerou que a compra do material da Aymará não tinha sido irregular, indo contra o parecer do Tribunal de Contas e o Ministério Público, e só suspendeu o pagamento por ter outras prioridades. Provavelmente a sua prioridade era o Alfa e Beto!
Peso de Ouro
Como se pode ver por esse episódio da compra de livros didáticos da Aymará, esses pacotes educacionais oferecidos como “o milagre” para resolver todos os problemas das escolas públicas, são vendidos a peso de ouro para as secretarias de educação.
E a que peso de ouro a Prefeitura Municipal de Salvador troca a Aymará pelo Alfa e Beto do PFL? Algumas perguntas precisam ser respondidas pelo Prefeito e seu Secretário:
• Qual a análise técnica realizada pela equipe pedagógica da secretaria e os educadores das escolas municipais sobre o uso dos materiais da Aymará? Quais resultados foram obtidos?
• Qual a análise técnica que a equipe pedagógica da secretaria e os educadores das escolas municipais realizaram dos materiais do Alfa e Beto que referendou a compra dos mesmos pela Secretaria?
• Qual o custo por aluno/ano dos materiais da Alfa e Beto?
• O que a Secretaria vai fazer com as toneladas de materiais do Programa do MEC “Pacto pela Alfabetização” e os livros didáticos escolhidos pelos professores que a Prefeitura recebe gratuitamente?
Essas duas últimas questões são fundamentais de serem respondidas pela Secretaria de Educação e debatidas por todos os educadores das escolas públicas de Salvador e do Brasil.
Nos últimos anos, com a importância dada pelos meios de comunicação aos resultados das avaliações externas realizadas pelo Ministério da Educação (SAEB, Prova Brasil,

"As grandes editoras e grupos empresariais passaram a vender pacotes prontos (Positivo, Objetivo, Anglo, Alfa e Beto, COC, etc) prometendo que os resultados virão a toque de mágica, sem nenhum esforço que exija mais do que assinar um contrato de dezenas de milhões de reais"

IDEB, entre outros), criando classificações entre as melhores e as piores escolas públicas, ou comparando o desempenho de uma escola municipal periférica com uma escola privada de elite, alguns secretários de educação passaram a acreditar que é possível comprar “um remédio infalível”, que coloque as “suas” escolas no topo da classificação e possa colher os frutos políticos eleitorais dos resultados. Com isso, as grandes editoras e grupos empresariais passaram a vender pacotes prontos (Positivo, Objetivo, Anglo, Alfa e Beto, COC, etc) prometendo que os resultados virão a toque de mágica, sem nenhum esforço que exija mais do que assinar um contrato de dezenas de milhões de reais.
Afronta
E esses secretários deixam de utilizar os livros didáticos fornecidos pelo Ministério da Educação, e que são avaliados por especialistas de universidades públicas, sem custos para os cofres públicos estaduais e municipais, para comprarem os pacotes vendidos por essas empresas sob a promessa que os alunos terão um ensino equivalente ao oferecido pelas escolas privadas. Ou seja, os secretários criam uma despesa desnecessária, e elevada, que além de tudo representa uma afronta aos profissionais da educação das secretarias e escolas. E representa uma afronta pelos seguintes motivos:
• Por trás da compra de pacotes educacionais privados estão presentes uma concepção de educação e seus respectivos objetivos, e a adesão a esses materiais representa reduzir o processo educativo à transmissão de um determinado conteúdo estruturado, desarticulado da formação dos alunos em outros âmbitos fundamentais, como para valores, atitudes e para o pleno exercício da cidadania, submetendo as políticas educacionais a busca de resultados, seja da secretaria e escolas nas avaliações externas ou dos alunos em provas e vestibulares. 
• Ao aceitar pacotes educacionais e entregar aos grupos empresariais que os produzem a responsabilidade por “treinar” e “controlar” o uso dos mesmos pelos professores, a secretaria retira das equipes técnicas a função de responsáveis por elaborar, planejar e executar, em parceria com as escolas, as ações pedagógicas destinadas a qualificar o trabalho docente, privatizando, de certo modo, as políticas educacionais.
• Esses pacotes desqualificam, também, a função docente, a importância do professor em sala de aula e na relação com os seus alunos, ao colocá-los na condição de “aplicadores” das atividades determinadas pelos materiais da Aymará hoje, do Alfa e Beto amanhã, e assim por diante.
• Para que as escolas vão debater, refletir e construir o seu projeto político pedagógico se os grupos empresariais já entregam um pacote pronto e fechado? Para que as equipes técnicas irão discutir com as escolas e seus profissionais as orientações curriculares se os conteúdos dos pacotes não podem ser alterados? Como é que se pode contextualizar os conteúdos a serem ensinados aos alunos, a partir de suas realidades, tendo atividades prontas e definidas? Ocorre que ao optar por esses pacotes fechados, a secretaria entregou para um grupo empresarial privado e movido pelo lucro a responsabilidade pela política educacional do município.
• No caso específico da Rede Municipal de Educação de Salvador, significa também negar toda uma história pedagógica construída por seus educadores que desde a década de 90 vem discutindo, a duras penas, uma concepção de alfabetização que tem como princípio fundante a construção do conhecimento por professores e alunos. Significa inclusive negar os próprios documentos e orientações curriculares da rede e as Propostas Pedagógicas das suas escolas. Trata-se, portanto, de “matar” um conhecimento produzido durante décadas e também jogar no lixo o dinheiro público investido em formação continuada em serviço dos educadores desta rede nas últimas décadas.
Questões Fundamentais
Essas, e muitas outras questões são fundamentais de serem discutidas por todos os profissionais da educação que atuam e defendem a escola pública.
Não passa por pacotes educacionais a melhoria da qualidade da escola pública, assim como também não passa pela quantidade de inovações tecnológicas. A questão central da educação, que existe desde o dia em que se construiu a primeira escola pública no Brasil, e que se agravou quando se democratizou o acesso para todas as crianças e adolescentes, é a qualificação e a valorização do professor. A transformação da qualidade da escola pública começa e se realiza na sala de aula, na relação do professor com os seus alunos, na qualidade do ensino que é realizado pelo professor e que determina a qualidade da aprendizagem de todos os seus alunos.

"Nesse sentido, não existe nenhuma outra prioridade possível que não seja o investimento efetivo e permanente no desenvolvimento profissional dos professores e na valorização do trabalho que realizam em sala de aula"

Nesse sentido, não existe nenhuma outra prioridade possível que não seja o investimento efetivo e permanente no desenvolvimento profissional dos professores e na valorização do trabalho que realizam em sala de aula, na construção de sua autonomia enquanto profissional capaz de refletir sobre a sua prática e produzir novos conhecimentos, e de compartilhar com a equipe escolar seus dilemas e descobertas.
Ensino e Aprendizagem
Se muitos secretários, como no caso atual de Salvador, não compreendem a complexidade presente na relação de ensino e aprendizagem, e quais são as prioridades educacionais nas quais os recursos públicos devem ser investidos para que a escola pública tenha qualidade, e os alunos possam aprender na idade e na série adequada, é preciso então que os próprios educadores assumam a responsabilidade de discutir e interferir nas políticas educacionais, retirando das mãos daqueles que são transitórios esse poder de decisão.
Não será trocando Aymará por Alfa e Beto que as crianças de Salvador terão a aprendizagem de qualidade que merecem e têm direito social e político. E não será com o Alfa e Beto que os educadores de Salvador, sejam os técnicos da secretaria ou as equipes escolares, se colocarão na condição de quem é capaz de exercer plenamente sua profissão e, portanto, serem valorizados pelo trabalho que realizam.
E cabe aos sindicatos sair do debate meramente reivindicatório, em que se negocia pontualmente algumas concessões do governo, que a curto prazo perdem validade, para efetivamente assumir o debate coletivo acerca da educação que interessa aos educadores e aos alunos das escolas públicas de Salvador e da Bahia, definindo as prioridades que realmente representam valorização e desenvolvimento profissional, qualidade de aprendizagem para os alunos, e que podem mudar o grave quadro educacional baiano.
Não é mais possível aceitar que a escola pública, seus profissionais e alunos continuem convivendo com políticas educacionais que ao longo de décadas representou a exclusão de milhões de crianças, adolescentes e jovens baianos - realidade que a grande maioria dos professores conhece de perto e como experiência de vida – e que permanecem em pleno século XXI alargando as diferenças entre ricos e pobres, negros e brancos, e os que possuem ou não proximidade com quem está no poder.
Decisões Duvidosas
É inadmissível que alguns poucos, que não são educadores, decidam por milhares de professores, dezenas de milhares de alunos e por toda a sociedade, o que é prioridade a partir de interesses que são estranhos à educação e seus profissionais. Ao mesmo tempo em que investem dezenas de milhões de reais de recursos públicos, na calada da noite ou no recesso das férias, sem nenhuma discussão com os profissionais da educação, quando se coloca a questão da valorização profissional sempre alegam falta de recursos. Ao mesmo tempo que investem no que não é necessário, dezenas ou centenas de escolas apresentam péssimas condições de trabalho e estudo, faltam professores, funcionários e recursos materiais e pedagógicos de qualidade.
Alterar essa situação depende do quanto os sindicatos e os educadores se dispõem, efetivamente, a assumirem em conjunto com os alunos e seus familiares a condição de protagonistas da discussão sobre a política educacional que interessa às escolas públicas, colocando um ponto final nos desmandos que marcam como as elites e seus governantes trataram as políticas educacionais na história do nosso país.



 Walter Takemoto é educador  

A Igreja Católica em Xeque II

Fiz uma postagem ontem criticando a Igreja Católica com relação à proibição do casamento aos seus membros (Padres e Freiras). Pelo visto, "há mais coisas no céu do que os aviões de carreira", como mostra essa reportagem do jornalista Eduardo Febbro, de Paris e publicada no site www.cartamaior.com.br dando conta dos reais motivos da renúncia do Papa Bento XVI. É triste!! A gana do poder animaliza até mesmo religiosos. Principalmente se estão dentro de um País com área aproximada de 1 km2 (hum quilômetro quadrado), o Vaticano. Talvez alguém não saiba mas o Vaticano é uma área considerada País, com soberania e tudo. Vamos então à matéria da Carta Maior:


Internacional| 14/02/2013 | Copyleft 

A história secreta da renúncia de Bento XVI

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.


Muito longe do céu e muito perto dos pecados terrestres, sob o mandato de Bento XVI o Vaticano foi um dos Estados mais obscuros do planeta. Joseph Ratzinger teve o mérito de expor o imenso buraco negro dos padres pedófilos, mas não o de modernizar a igreja ou as práticas vaticanas. Bento XVI foi, como assinala Philippe Portier, um continuador da obra de João Paulo II: “desde 1981 seguiu o reino de seu predecessor acompanhando vários textos importantes que redigiu: a condenação das teologias da libertação dos anos 1984-1986; o Evangelium vitae de 1995 a propósito da doutrina da igreja sobre os temas da vida; o Splendor veritas, um texto fundamental redigido a quatro mãos com Wojtyla”. Esses dois textos citados pelo especialista francês são um compêndio prático da visão reacionária da igreja sobre as questões políticas, sociais e científicas do mundo moderno.

O Monsenhor Georg Gänsweins, fiel secretário pessoal do papa desde 2003, tem em sua página web um lema muito paradoxal: junto ao escudo de um dragão que simboliza a lealdade o lema diz “dar testemunho da verdade”. Mas a verdade, no Vaticano, não é uma moeda corrente. Depois do escândalo provocado pelo vazamento da correspondência secreta do papa e das obscuras finanças do Vaticano, a cúria romana agiu como faria qualquer Estado. Buscou mudar sua imagem com métodos modernos. Para isso contratou o jornalista estadunidense Greg Burke, membro da Opus Dei e ex-integrante da agência Reuters, da revista Time e da cadeia Fox. Burke tinha por missão melhorar a deteriorada imagem da igreja. “Minha ideia é trazer luz”, disse Burke ao assumir o posto. Muito tarde. Não há nada declaro na cúpula da igreja católica.

A divulgação dos documentos secretos do Vaticano orquestrada pelo mordomo do papa, Paolo Gabriele, e muitas outras mãos invisíveis, foi uma operação sabiamente montada cujos detalhes seguem sendo misteriosos: operação contra o poderoso secretário de Estado, Tarcisio Bertone, conspiração para empurrar Bento XVI à renúncia e colocar em seu lugar um italiano na tentativa de frear a luta interna em curso e a avalanche de segredos, os vatileaks fizeram afundar a tarefa de limpeza confiada a Greg Burke. Um inferno de paredes pintadas com anjos não é fácil de redesenhar.

Bento XVI acabou enrolado pelas contradições que ele mesmo suscitou. Estas são tais que, uma vez tornada pública sua renúncia, os tradicionalistas da Fraternidade de São Pio X, fundada pelo Monsenhor Lefebvre, saudaram a figura do Papa. Não é para menos: uma das primeiras missões que Ratzinger empreendeu consistiu em suprimir as sanções canônicas adotadas contra os partidários fascistóides e ultrarreacionários do Mosenhor Levebvre e, por conseguinte, legitimar no seio da igreja essa corrente retrógada que, de Pinochet a Videla, apoiou quase todas as ditaduras de ultradireita do mundo.

Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual.

Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Deis, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norteamericano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época.

João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus.

Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas.

Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa.

Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se autoalimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.


Tradução: Katarina Peixoto

"O Inferno no Paraíso"!

Chegam-nos pelo noticiário internacional os avanços da medicina conseguidos na Ilha de Fidel. Mas qual o preço que é pago para que tais avanços sejam alcançados e por que a ditadura, como sempre, não é para todos? Após sua morte, Leonid Brejnev foi desmascarado com matérias dando conta da vida burguesa que ele e os seus apadrinhados levavam, num verdadeiro palácio escondido dos pobres mortais russos! Todo regime me parece ter duas faces: a da propaganda enganosa e a face negra, carrasca e aniquiladora. Vejam essa crônica do jornalista gaúcho em viagem recente a Cuba. O título da matéria do outro jornalista que escreveu sobre o Juremir Machado, do Correio do Povo, é "O Inferno no Paraíso".

A visão de Cuba pelo jornalista Juremir Machado da Silva
 
“O JORNALISTA JUREMIR, FEZ PARTE DA COMITIVA DO GOVERNADOR TARSO GENRO, QUE FOI A CUBA, AGORA NO MÊS DE OUTUBRO 2012,OFERECER MÁQUINAS AGRÍCOLAS FABRICADAS NO RIO GRANDE DO SUL, FINANCIADAS PELO BNDES. JUREMIR É COLUNISTA DO JORNAL "CORREIO DO POVO" DE PORTO ALEGRE E ESCRITOR.ÀS VEZES,NÃO CONCORDO COM O CONTEÚDO DE SUAS CRÔNICAS, POIS,COMO ELE DIZ TER, OU MELHOR, TINHA,PENSAMENTO DE ESQUERDISTA.MAS FIQUEI SURPRESO COM SEU DIÁRIO DE VIAGEM À CUBA RETRATANDO A VERDADEIRA SITUAÇÃO DAQUELE COITADO POVO QUE VIVE DO FAZ-DE-CONTA QUE SE ALIMENTA, QUE TEM DIGNIDADE DE VIDA, QUE PODE VIAJAR,  ETC., ENFIM O POVO CUBANO VIVE, COM TODOS OS SENTIDOS DO SER HUMANO, NUMA I L H A !!!!”
 
 
CUBA, O INFERNO NO PARAÍSO.  
 
Juremir Machado da Silva
 Correio do Povo, Porto Alegre (RS) 
 
Na crônica da semana passada, tentei, pela milésima vez, aderir ao comunismo. Usei todos os chavões que conhecia para justificar o projeto cubano. Não deu certo. Depois de 11 dias na ilha de Fidel Castro, entreguei de novo os pontos.
 
O problema do socialismo é sempre o real. Está certo que as utopias são virtuais, o não-lugar, mas tanto problema com a realidade inviabiliza qualquer adesão. Volto chocado: Cuba é uma favela no paraíso caribenho.
 
Não fiquei trancado no mundo cinco estrelas do hotel Habana Libre. Fui para a rua. Vi, ouvi e me estarreci. Em 42 anos, Fidel construiu o inferno ao alcance de todos. Em Cuba, até os médicos são miseráveis. Ninguém pode queixar-se de discriminação. É ainda pior. Os cubanos gostam de uma fórmula cristalina: ‘Cuba tem 11 milhões de habitantes e 5 milhões de policiais’. Um policial pode ganhar até quatro vezes mais do que um médico, cujo salário anda em torno de 15 dólares mensais. José, professor de História, e Marcela, sua companheira, moram num cortiço, no Centro de Havana, com mais dez pessoas (em outros chega a 30). Não há mais água encanada. Calorosos e necessitados de tudo, querem ser ouvidos. José tem o dom da síntese: ‘Cuba é uma prisão, um cárcere especial. Aqui já se nasce prisioneiro. E a pena é perpétua. Não podemos viajar e somos vigiados em permanência. Tenho uma vida tripla: nas aulas, minto para os alunos. Faço a apologia da revolução. Fora, sei que vivo um pesadelo. Alívio é arranjar dólares com turistas’.
 
José e Marcela, Ariel e Julia, Paco e Adelaida, entre tantos com quem falamos,pedem tudo: sabão, roupas, livros, dinheiro, papel higiênico, absorventes. Como não podem entrar sozinhos nos hotéis de luxo que dominam Havana, quando convidados por turistas, não perdem tempo: enchem os bolsos de envelopes de açúcar. O sistema de livreta, pelo qual os cubanos recebem do governo uma espécie de cesta básica, garante comida para uma semana. Depois, cada um que se vire. Carne é um produto impensável.
 
José e Marcela, ainda assim, quiseram mostrar a casa e servir um almoço de domingo: arroz, feijão e alguns pedaços de fígado de boi. Uma festa. Culpa do embargo norte-americano? Resultado da queda do Leste Europeu? José não vacila: ‘Para quem tem dólares não há embargo. A crise do Leste trouxe um agravamento da situação econômica. Mas, se Cuba é uma ditadura, isso nada tem a ver com o bloqueio’. 
 
Cuba tem quatro classes sociais: os altos funcionários do Estado, confortavelmente instalados em Miramar; os militares e os policiais; os empregados de hotel (que recebem gorjetas em dólar); e o povo. ‘Para ter um emprego num hotel é preciso ser filho de papai, ser protegido de um grande, ter influência’, explica Ricardo, engenheiro que virou mecânico e gostaria de ser mensageiro nos hotéis luxuosos de redes internacionais.
 
Certa noite, numa roda de novos amigos, brinco que,quando visito um país problemático, o regime cai logo depois da minha saída. Respondem em uníssono:
 
'Vamos te expulsar daqui agora mesmo’. Pergunto por que não se rebelam, não protestam, não matam Fidel? Explicam que foram educados para o medo, vivem num Estado totalitário, não têm um líder de oposição e não saberiam atacar com pedras, à moda palestina. Prometem, no embalo das piadas, substituir todas as fotos de Che Guevara espalhadas pela ilha por uma minha se eu assassinar Fidel para eles.
 
Quero explicações, definições, mais luz. Resumem: ‘Cuba é uma ditadura’. Peço demonstrações: ‘Aqui não existem eleições. A democracia participativa, direta, popular, é um fachada para a manipulação. Não temos campanhas eleitorais, só temos um partido, um jornal, dois canais de televisão, de propaganda, e, se fizéssemos um discurso em praça pública para criticar o governo, seríamos presos na hora’.
 
Ricardo Alarcón aparece na televisão para dizer que o sistema eleitoral de Cuba é o mais democrático do mundo. Os telespectadores riem: ‘É o braço direito da ditadura. O partido indica o candidato a delegado de um distrito; cabe aos moradores do lugar confirmá-lo; a partir daí, o povo não interfere em mais nada. Os delegados confirmam os deputados; estes, o Conselho de Estado; que consagra Fidel’. Mas e a educação e a saúde para todos? Ariel explica: ‘Temos alfabetização e profissionalização para todos, não educação. Somos formados para ler a versão oficial, não para a liberdade.
 
A educação só existe para a consciência crítica, à qual não temos direito. O sistema de saúde é bom e garante que vivamos mais tempo para a submissão’. José mostra-me as prostitutas, dá os preços e diz que ninguém as condena:’Estão ajudando as famílias a sobreviver’. Por uma de 15 anos, estudante e bonita, 80 dólares. Quatro velhas negras olham uma televisão em preto e branco, cuja imagem não se fixa. Tentam ver ‘Força de um Desejo’. Uma delas justifica: ‘Só temos a macumba (santería) e as novelas como alento. Fidel já nos tirou tudo.Tomara que nos deixe as novelas brasileiras’. Antes da partida, José exige que eu me comprometa a ter coragem de, ao chegar ao Brasil, contar a verdade que me ensinaram: em Cuba só há ‘rumvoltados’.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Igreja Católica em Xeque!

É lamentável que notícias desabonadoras atinjam certos setores da Igreja Católica! Eu sou de família católica, convivi muitos anos com o pároco da nossa igreja Cônego João Morais de Farias Júnior, que aliás, por muitas vezes foi meu conselheiro, meu mentor, meu grande amigo!! Após denúncias de pedofilia nos Estados Unidos, mordomo do Papa Bento XVI furtando documentos confidenciais, rumores de que um dos Bispos cotados para a sucessão de Bento XVI também é acusado de pedofilia... E agora, em Niterói, um padre se envolve num enorme escândalo! Esse cara é um cretino. Com tantos holofotes apontados para o Vaticano e a própria Igreja Católica, tendo ao fundo da sala da Casa Paroquial um quadro da Santa Ceia, o cretino, nu, se enrosca numa garota! E ao que parece ele queria se "apoderar" das duas irmãs, inclusive uma que aos 7 anos teve suas partes íntimas bolinadas. A estupidez da Igreja Católica, ao meu ver, é a proibição dos padres e freiras se casarem. Olhem o paradoxo absurdo: a igreja católica sequer admite a "pílula do dia seguinte", quanto mais o aborto! E estimula os casais na base do "crescei e multiplicai-vos", mas não admite o casamento para a multiplicação da espécia, conforme prega todos os dias, entre seus membros!! É ou não estupidez? Alguns "estudiosos" dizem que é para "não pagar pensão quando o padre casado viesse a morrer"! Outro pecado que ela tanto combate mas pratica: a Avareza!! Sexo é uma necessidade física como tomar água ou dormir! É realmente necessário muita abnegação e muita fé para lutar durante toda vida contra essa necessidade vital que a todo dia se mostra viva e pulsante nos nossos corpos. Outra pergunta: será que Deus fica contente em ser servido por um religioso que se frustra todos os dias em Seu nome? Certamente que não. Se olharmos os casos de pedofilia e estupro, homossexualismo entre padres e freiras e os religiosos de segmentos que permitem o casamento entre seus membros, notamos que esses últimos quase não se envolvem com essas modalidades de escândalos. Simples: eles têm como dar vazão ao desejo carnal sem culpa. E também servem ao mesmo Jesus e ao mesmo Deus Nosso Senhor!! Sempre disse que o motivo da debandada geral dos católicos para as igrejas evangélicas tem dois motivos: o primeiro é sem dúvida a estagnação da igreja católica sem uma renovação que realmente mereça a atenção dos fiéis, inclusive a manutenção da proibição do casamento entre os seus membros. O outro é a "promessa" de crescimento material oferecido pela maioria das igrejas evangélicas, em detrimento do crescimento espiritual dos fiéis, o que realmente deveria ser o caminho a ser seguido. Pelo menos nesse quesito a igreja católica está isenta, por enquanto, de pecado. E o pai das garotas de Niterói? Quem estimulou essa garota a se relacionar com o vigário? Depois de saber uma notícia dessas e ainda ter a calma de orientar a moça para "gravar um vídeo" com o padre mané, certamente não é o maior culpado? Ainda bem que a polícia o indiciou por pelo menos três crimes. Conheci dois padres jovens quado morei no Piauí e, como tovaca numa banda, toda festa que acontecia na cidade e vizinhanças eu via uma mesa ser reservada para os dois com um litro de whisky! Andavam armados num jipe e já sofreram alguns atentados perpetrados por namorados ou maridos traídos. E "pegavam" geral MESMO, nas fuças de quem quisesse ver. Não seria esse comportamento "inadequado" culpa das diretrizes da igreja? Sabemos que quem é tarado ou descarado  pode ter dez mulheres que não fica satisfeito! Têm de aprontar. Mas, convenhamos, nem todos os padres que precisam a duras penas sufocar seus desejos normais são tarados ou safados. E a hipocrisia da igreja não pára por aí: todo mundo que mora em Salvador conhece um certo pároco que tinha vários filhos e "namoradas" mas que a igreja não o colocava na berlinda porque o mesmo era muito amigo de um figurão que contribuía com polpudas somas para as "obras da paróquia"!! É!! Já houve até Bispo que enterrou cadela em latim!! Pelo menos foi o que nos mostrou o espírito crítico de Ariano Suassuna. Mas, do jeito que as coisas andam desde o início dos tempos, "quem havéra de duvidar", como diria minha querida mãe, D. Matilde!!

Chalita se defende!

Vejam se as palavras do atual Deputado convencem.


'Quais são as provas?', desafia ex-secretário


Bruno Boghossian e Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo
Gabriel Chalita rechaça categoricamente as afirmações de seu acusador. Em nota ele desafia. "Qual o interesse deste senhor e quais são as provas de suas acusações?" O deputado questiona por que as denúncias "surgem 10 anos depois de ter deixado a Secretaria de Educação da gestão Geraldo Alckmin".
Sua defesa está a cargo do advogado Alexandre de Moraes que já pediu arquivamento das investigações sob alegação de que Grobman não apresentou provas.
Experiente, ex-promotor de Justiça, Moraes tem explicações para as acusações a Chalita. A assessoria do ex-secretário destaca que "todos os procedimentos instaurados foram arquivados a pedido dos próprios órgãos de investigação".
O prefeito de Santos Paulo Barbosa (PSDB) afirmou que "tem a ficha limpa". O Grupo SEB informa que "é vitima de seu antigo colaborador (Grobman), que sistematicamente o ameaça, desde que foram rompidos laços de prestação de serviços com ele, como atesta boletim de ocorrência registrado em 5 de fevereiro desde ano". 

Alguma dúvida senhor?


'Chalita recebeu R$ 50 milhões em propina', diz ex-auxiliar


Bruno Boghossian e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo
O analista de sistemas que acusa Gabriel Chalita (PMDB) de cobrar propina de empresários quando era secretário de Educação de São Paulo (2002-2006) afirmou que o deputado recebeu mais de R$ 50 milhões ilegalmente quando estava no governo. Roberto Grobman disse que viu Chalita receber caixas com "pilhas de notas de dinheiro" pelo menos seis vezes em seu apartamento e dentro da secretaria.
"Ele olhava aquilo eufórico, pegava o dinheiro e começava a distribuir (a auxiliares)", afirmou, em entrevista ao Estado.
Grobman, ex-colaborador do grupo educacional COC (atual SEB), reforçou que Chalita cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos com sua pasta. Ele afirmou ainda que usava uma sala, um ramal e um e-mail da secretaria, apesar de não ter sido nomeado oficialmente para cargo algum.
"Eu soltei só um fio; agora é só puxar que vão ver muita coisa suja", declarou o analista.
Como funcionava o esquema de corrupção na secretaria?
Ele (Chalita) pedia dinheiro antecipado a qualquer empresa interessada em fechar contratos com a secretaria. A empresa dava parte do dinheiro antes e, depois, pagava outra parte.
Que valor era cobrado?O Chalita cobrava 25% do valor dos contratos das empresas que queriam participar do esquema. Ele chamava esse valor de "golden number". Ele até usava uma expressão errada em inglês: "gold number".
Chalita pedia dinheiro diretamente às empresas?Pessoalmente, não. Em reuniões, dizia ao Paulo Barbosa (secretário adjunto): "precisamos de tanto dinheiro". Barbosa fazia o filtro para receber empresários.
Como era feito o pagamento?Parte chegava em caixas de papelão - umas caixas fininhas, de 7 cm de altura, mas compridas, do tamanho de uma guitarra. Dentro dessas caixas vinham as pilhas de notas de dinheiro.
Quanto o sr. calcula que Chalita tenha recebido?Acima de R$ 50 milhões, entre dinheiro e pagamento de despesas e produtos.
O sr. presenciou Chalita recebendo dinheiro?Sim, no apartamento dele. Ele olhava aquilo eufórico, pegava o dinheiro e começava a distribuir aos auxiliares para que cumprissem missões.
Quantas vezes o sr. viu a entrega de caixas de dinheiro?Um monte de vezes, acho que seis, sete ou oito vezes. Quem fazia a coleta era o Milton Leme, que foi diretor de tecnologia da informação da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação). O outro era o (Luiz Carlos) Quadrelli, atual secretário de Desenvolvimento. Eles faziam as coletas nas empresas que participavam das licitações e entregavam a Chalita.
O sr. prestava favores a Chalita, em nome do grupo COC?Minha parte era comprar produtos nas viagens internacionais. Se ele pedia, eu perguntava à empresa se podia comprar. TV de plasma, computador, um sistema de ponto eletrônico moderno de US$ 12 mil. O Chaim tinha um King Air e fretava uma empresa que levou Chalita para vários lugares.
Quanto custou a reforma do apartamento de Chalita?O Chaim me mandou pagar com dinheiro da offshore. Uma empresa gastou R$ 93 mil, para um telão. Outra gastou US$ 89 mil.
O sr. trabalhou na secretaria?Fui assessor de gabinete, mas sem nomeação. A chefe de gabinete Mariléa Nunes Vianna me deu uma sala, a 244-A. Eu tinha um ramal, eu tinha um computador, eu tinha um e-mail da secretaria, um e-mail do governo.
Faria acareação com Chalita?É claro que sim. Tenho fotos minhas com ele. Eu corria com ele, viajava com ele, fazia academia junto. Não tenho medo de repetir o que disse. A verdade nunca dói. Tenho e-mails e fotografias que comprovam o esquema.

O Racismo em Salvador é Real!!

Meus amigos, peguei uma publicação da Professora Marisa Braga para repassar para vocês. Confesso que fiquei chocado com a escolha do material didático para as escolas públicas de Salvador. Utilizam uma publicação que data de 1965, portanto, 47 anos atrás, como se o ensino e o mundo não tivessem evoluído nada, jogando no lixo inclusive as conquistas de negros e brancos. Quanto mais se fala em igualdade racial, respeito às diferenças, etc., mais acho que nossos governantes nadam a braçadas largas no mar da imbecilidade. Até quando vamos permitir retrocessos monstruosos perpetrados por governantes ordinários? Por essas e outras é que sou contra a reeleição de qualquer político. Já constatamos que em 4 anos fazem um estrago danado. Já pensaram em 8, 12, 16 ou 20, como pode acontecer com vereadores, deputados estaduais e federais e senadores? Leiam a matéria abaixo e tirem suas conclusões:


Para pensar
NAS ESCOLAS DE SALVADOR, O RACISMO É NOTA DEZ!!!

A prefeitura de Salvador comprou, SEM LICITAÇÃO, material escolar no valor de R$ 12, 3 MILHÕES! 
Esse material, além de ter sua lisura questionada quanto a legalidade na aquisição, traz texto (publicado em 1965) que atinge diretamente a autoestima das crianças negras e continua sustentando o racismo no Brasil, o qual é PERVERSO, DIFUSO, VELADO, COVARDE, DISFARÇADO, ESCAMOTEADO e muitas vezes MORTAL! 
Nas escolas públicas de Salvador, que receberam esse material, as crianças loiras e de olhos azuis não chegam a 3% (três por cento). Já as negras ficam em torno do 90% (noventa por cento). Pergunto: qual é o objetivo de levarem as crianças de 7 e 8 anos de idade, que estudam nas escolas públicas, livros contendo textos com os teores abaixo??? 

" A bonita se chama Teresa.
Tem grandes olhos AZULADOS
Usa vestido de seda clarinho
Com botões dourados.
A feia não tem nome,
Nem mesmo apelido.
O vestido que usa é velho,
Rasgado e encardido.

A bonita tem cabelo LOIRO
Todo ele trançado
(...)

A feia tem pouco cabelo
De tanto que já foi puxado 
(...)".


SALVADOR CONTINUA SENDO TERRA DE NEGROS COM ELITE ESCRAVOCRATA!!!
NAS ESCOLAS DE SALVADOR, O RACISMO É NOTA DEZ!!!

A prefeitura de Salvador comprou, SEM LICITAÇÃO, material escolar no valor de R$ 12, 3 MILHÕES!
Esse material, além de ter sua lisura questionada quanto a legalidade na aquisição, traz texto (publicado em 1965) que atinge diretamente a autoestima das crianças negras e continua sustentando o racismo no Brasil, o qual é PERVERSO, DIFUSO, VELADO, COVARDE, DISFARÇADO, ESCAMOTEADO e muitas vezes MORTAL!
Nas escolas públicas de Salvador, que receberam esse material, as crianças loiras e de olhos azuis não chegam a 3% (três por cento). Já as negras ficam em torno do 90% (noventa por cento). Pergunto: qual é o objetivo de levarem as crianças de 7 e 8 anos de idade, que estudam nas escolas públicas, livros contendo textos com os teores abaixo???

" A bonita se chama Teresa.
Tem grandes olhos AZULADOS
Usa vestido de seda clarinho
Com botões dourados.
A feia não tem nome,
Nem mesmo apelido.
O vestido que usa é velho,
Rasgado e encardido.

A bonita tem cabelo LOIRO
Todo ele trançado
(...)

A feia tem pouco cabelo
De tanto que já foi puxado
(...)".


SALVADOR CONTINUA SENDO TERRA DE NEGROS COM ELITE ESCRAVOCRATA!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Eu Mereço!!!

Domingo ensolarado, lindo, nada a fazer a não ser aceitar o convite de um amigo para fazer uma roda de viola na sua fazenda, regada a cerveja gelada e picanha assada. Poderia ter alguma coisa que estragasse esse dia? Não!! Seria o dia perfeito não fosse por um pequeno detalhe que lhes contarei mais abaixo. Ao receber o convite fiz contato com Luis de "Sêo" Nem (cavaquinho), Dyon da Silva (violão) e Zequinha Lumbrigó (pandeiro). Às 08:30hs da manhã partimos para a fazenda transportados por um Fiat Uno zerinho, e a perspectiva de fazer uma boa roda de viola. Chegamos, muita gente reunida, alguma carne já assada porque o amigo fazendeiro abate uma rês todo domingo para fornecer carne a toda vizinhança, som apropriado para a brincadeira, enfim, tudo certo. Começo a mudar as caixas de som de lugar, arrumo de forma a termos algum retorno sem dar microfonia, arranjo uma cadeira e posiciono o microfone e o caderno de músicas de forma que eu pudesse ver as letras das músicas do conforto do meu assento. Os outros, que são jovens, ficaram de pé. Às 9:30hs já havíamos começado a festa: recorro ao repertório e escolho a música Chalana, instrumental caprichado, na tentativa de impressionar a galera que para mim era totalmente desconhecida. Nisso uma outra cadeira é colocada ao lado da minha e vejo um simpático rapaz com um corte de cabelo à Neymar e imagino que aquela manhã de viola não será a que eu havia imaginado. "Eu só não acerto na Loteria", como diz um amigo meu! Agora, o "pequeno" detalhe: Após duas ou três músicas meu vizinho de cadeira "ordena" no eu pé de ouvido: "Toca aê Bebim pra carái..."! Fiz ouvido de mercador e continuei tentando mostrar modas bem elaboradas na viola. Meus parceiros de empreitada também caprichavam nos instrumentos para a coisa sair mais ou menos bem feita. Traziam uma cerveja e meu vizinho era o primeiro a erguer o copo para ser servido. Tudo bem, faz parte. Outra vez "toca aê Bebim pra Carái q'eu canto"!! Terminei a música já meio impaciente com o cidadão que, ao contrário da tal "música" não estava bêbado. Aí passo-lhe a informação de que estamos com a proposta de fazer uma Roda de Viola e que aquele tipo de música não estava nos planos do grupo! Começamos novamente com o Dyon tocando músicas suas e de Dodô, parceiro seu e irmão do dono da Fazenda. Muito legal não fosse pela insistência do cidadão no meu ouvido insistindo "toca aê véi, Bebim pra Carái!!!" Não aguentando mais parei a viola e lhe falei com todas as letras: "Porra véi, você não tá vendo que o tipo de música aqui é outro? Eu não conheço essa música e como é que você quer que eu toque"? A resposta imediata: "A musga é minha e o Dyon sabe..." Ok! Para não criar um clima, paramos e pedi ao Dyon que acompanhasse o "Tom Jobim" da Baixa Funda. Nosso intrépido violonista se ajeitou, deu o acorde e fez o ritmo brega rasgado e o cantor e compositor começou a mostrar sua poesia: "Hoje tô bebim, bebim pra carái, bebim, bebim pra carái... Hoje tô bebim, bebim pra carái, bebim, bebim pra carái..." Ao final dessa grandiosa apresentação palmas e vivas que não sei de onde saíram tantas!! E olha que com as nossas elaboradas músicas o máximo que conseguimos foi um sorrisinho aqui e ali! Tivemos de nos render ao "mestre" que se apoderou do microfone e desfiou um rosário de "pérolas" que, para nossa sorte, o Dyon sabia acompanhar todas. Tive a confirmação ontem de que a "latrina cultural" que infestou as cidades, como uma represa que transborda, levou suas "águas" podres pelos riachos, desaguando nos rincões outrora conhecidos como redutos de caipiras e sambadores. Hora de retornar, colocam-nos num garboso Chevette branco e pegamos a estrada com muitas pedras. Com cuidado para não machucar o "possante" o motorista nos informa a todo instante que a máquina é "rebaixada" e por isso anda devagar. Dei várias gargalhadas internamente porque havia percebido que as molas e amortecedores estavam aos frangalhos! "Rebaixado..."! Pois sim! Num trecho da estrada onde as pedras são mais escassas, nosso "Felipe Massa" acelera um pouco mais e na baixada, para desviar de uma insistente pedra, dá uma pequena rabeada o que faz o dono do carro, seu irmão, ralhar. Chegamos finalmente em Mairi e, para não quebrar a tradição dos Chevettes, no primeiro quebra-molas o possante apagou o fogo. "Foi um cabo de vela...", informa o piloto. Capô aberto, algumas mexidas nos tais cabos e após uns "ton nhon nhon nhonn... vrummmm" o carro pega. Ficamos em casa de camisas ensopadas pelo suor do calor de meio de tarde! Quem disse que o "matuto" quer saber de Sérgio Reis, Inezita Barroso, Tonico e Tinoco, Almir Satter, Renato Teixeira, etc? Se não rolar "Fazer parrrá pá pá, parrrrá pá pá" ou "Bebim pra carái", não presta!! Acho que vou seguir o conselho do Paulinho da Viola e deixar a minha "no fundo do baú!" Por essas e outras me vem a constatação: estou velho! O que aliás, em vez de me entristecer me dá a certeza de ser uma das poucas vozes destoantes e que combatem o "lixo musical" que nos impõem. Posso lhes garantir uma coisa: ouvirei outras porcarias do gênero mas "Bebim pra carái" nunca mais deixarei alguém cantar quando estiver fazendo uma violada com os amigos. Até porque não pretendo sair da "segurança" da minha casa. Mas é assim mesmo. Pelo "compositor", pelo conforto e originalidade do Chevette, só posso dizer uma coisa: eu mereço!!!