domingo, 13 de janeiro de 2013

O "Circo" e a Cultura.

Estou, como vocês sabem, de férias em minha querida Mairi! Tô na vida que pedi a Deus: viola todos os dias, encontro com amigos para uma sinuca no Bar de Daniel, conversas sobre as carências da cidade, etc. Noutro dia, reuni-me com alguns amigos e começamos a falar da carência cultural de Mairi. Começamos o papo no "meio do ano", com o São João, a principal festa da cidade. Aí vieram as conjecturas sobre as possíveis atrações: "qual será a grande atração deste ano?" - perguntava um. "Ah não!! Pelo menos uma grande atração como o Pablo do Arrocha tem de ter!!" - implorava outra amiga. E discordávamos e concordávamos em alguns pontos mas, do que estávamos falando mesmo? Pois é: "carência cultural". Algumas pessoas não entendem ou confundem Cultura com "Circo": O Pablo, o Silvano Salles, o Amado Batista, etc., são atrações que agradam a muita gente. No São João de 2012 o Amado Batista provocou o maior furor em Mairi! Foi legal, foi sucesso total. Mas, acrescentou o quê à cultura junina local? Absolutamente nada!! Pelo contrário: a Cultura foi colocada em segundo plano para que a unanimidade burra fosse agradada! Se estamos falando de Cultura esses figurões não deveriam sequer ser aventados como possíveis contratações para a maior festa da cidade. Temos outras datas onde eles se encaixariam perfeitamente. Aí seria a oportunidade de dar um pouco de "circo" ao povo. Fazendo uma retrospectiva de mim mesmo, quando tocava na banda Os Ingênuos, de Mairi e com 17, 18 anos, eu só conseguia aceitar como música tudo que viesse de fora ou as músicas da Jovem Guarda! O resto era simplesmente resto. Ouvir Chorinho, Samba, MPB, Moda Caipira, Valsinhas, Forró? Nem pensar!! "Isso lá é música?" Eu pensava. Agora, Beatles, Credence Clearwater Revival, Rolling Stones, Elton John, etc., aí sim! Me lembro que até músicas do Fábio Júnior na sua "fase" americanizada eu cantei. Acho que o pseudônimo era David Mc Clean. Como mudei? Simples: passei a conviver com pessoas bem mais esclarecidas que eu e, para não ficar só de espectador nas rodas de bate papo tive que me informar. E nesse momento "camaleão" da minha vida o Banco do Brasil teve participação decisiva. Convivi com pessoas de todas as regiões do Brasil, bebi de todas as Culturas Regionais e fui, através da leitura e audições de boas rádios, a exemplo da extinta Rádio Jornal do Brasil, de Salvador, que tinha uma programação excelente, alcançando um nível cultural mais elevado, saindo da extrema mediocridade. Não entendam as bandas mencionadas acima como medíocres. Eu quis dizer que o que vinha de fora era o que eu considerava como Música! Passei a ouvir samba, chorinhos e outros ritmos regionais para poder discutir sobre os mesmos nas rodas de cerveja nos fins-de-semana. Foi a minha sorte. Hoje, após ter tocado Bandolim e Cavaquinho em Rodas de Samba e Trio Elétrico fazendo o bom e autêntico Frevo Pernambucano, toco Viola Caipira. Aliás, como meu pai ouvia a Rádio Nacional de São Paulo e sua programação caipira, quando comecei a "tocar" violão esse era um estilo que eu detestava. Foi através da MPB, do Chorinho, do Forró, etc., que passei a tocar violão como um verdadeiro "mestre", se comparado à fase em que só curtia música estrangeira. Um pouco de aprimoramento veio. Então, se vamos fazer Cultura, que façamos com a consciência de que em alguns momentos precisamos desagradar ao povo sob pena de vermos a nossa identidade cultural se "desbotar" por completo. Cultura é uma coisa! Gandaia é outra! Precisamos das duas mas, "cada qual, no seu cada qual!!"
Mairi, 13/01/12
06:27 hs.

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