domingo, 20 de janeiro de 2013

Gonzaguinha, de filho para pai!!



Assisti à série "Gonzaga, de pai para filho" e adorei! A história do Rei do Baião é fascinante sob dois aspectos: o primeiro foi a persistência e determinação em conseguir "ser gente", como o próprio Luiz Gonzaga falava. O outro foi a lição dada pelo seu filho Gonzaguinha. A gente sempre soube que houve entre os dois vários "arranca rabos" e que eles muito pouco se viam. Daí a grande revolta do filho: "Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, amado pelo povo não conseguiu amar o seu próprio filho", desabafou certa vez o Gonzaguinha. É certo que Luiz Gonzaga teve um pai cúmplice, no bom sentido, ao contrário do pai durão que imaginávamos pelos causos contados por Sêo Lua. Então, por que Gonzaguinha se sentia excluído da vida do pai? Parece-me natural, apesar de duro, quem vive de "déu em déu" fazendo shows em tudo que é canto, uma criança não seria fácil de cuidar. E provavelmente sem perceber, o Gonzaguinha foi sendo deixado com aquela família que o criou. A vontade do pai era que ele fosse "Doutor" e não cantor. E mesmo sem a presença física do pai, ele conseguiu. Claro que nada faltava ao garoto em termos de grana! Pode ser até que no íntimo, Gonzaguinha se formara para agradar ao pai, mesmo sem a consciência disto. Por isso mesmo é que nunca assumiu a profissão. O que me leva a crer nesse desejo íntimo é que, com toda a revolta pela falta do pai o Gonzaguinha leva-lhe o Anel de Doutor e o presenteia. Eram mundos diferentes: o do sertanejo pobre e humilhado e a dançarina do Rio de Janeiro, acostumada à vida urbana e a tudo que ela  pode oferecer. Ainda assim Luiz Gonzaga cuidou dela até sua morte e registrou o filho. Adorei o episódio que ele chega em casa de seus pais pela madrugada, chama, chama e só respondem quando ele faz o "prefixo": "Lovado seja nosso senhor Jesus Cristo!!" "Para sempre seja lovado", responde-lhe o pai. Lembro muito bem de quando fazia barzinho em Feira de Santana, a história de "Samarica Parteira" era contada várias vezes na noite. Até hoje aqui em Mairi sempre que estou com o violão ou a viola, alguém pede para contar a tal história. Muito legal. O ponto alto da minissérie, na minha opinião, foi a apresentação de Luiz Gonzaga à juventude, feita pelo Gonzaguinha em um show, marcando a volta do Rei do Baião ao sucesso novamente, com a música "Vida de Viajante" interpretada pelos dois. Como estava no Exu já sem dinheiro e fama, essa "volta" providenciada pelo filho foi a certeza de que, apesar da enorme mágoa, o Gonzaguinha amava seu velho e turrão pai. Que bom que o amor mais uma vez quebrou a barreira criada pela raiva, mágoa e revolta pela ausência. A parte ruim para os fãs dos dois foi que pouco tempo depois da morte do pai o filho foi ao seu encontro após um show no Paraná, na cidade de Pato Branco perto de Guarapuava, cidade que eu estava morando. Os relatos de conhecidos que foram a esse show, dão conta de que o Gonzaguinha, após o espetáculo, fez uma despedida como se estivesse realmente se despedindo da vida. Logo após a saída da cidade o carro capotou e ele veio a falecer. Foi impressionante.

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