terça-feira, 10 de julho de 2012

O desabafo de uma Professora

Amigos, vejam essa carta aberta à população baiana, escrita por uma professora que, por motivos óbvios, oculto endereço e telefone. Vejam só:


NADA É TÃO RUÍM QUE AINDA NÃO POSSA PIORAR...!!!
 

Vivemos tempos sombrios no estado da Bahia.
É triste lembrar que faço parte, diretamente, do caos em que se encontra o estado da Bahia. Ajudei, com o meu voto, a eleger um candidato que, em campanha política, prometia fazer um governo igualitário, um governo pelo povo que primaria pelo diálogo e que traria equilíbrio e concórdia até mesmo com seus adversários políticos. Enfim, conseguindo se eleger, comemorei, como muitos, a vitória de um membro do PT que, como promessa de campanha, prometia olhar melhor para o funcionarismo público. Mas, como sempre se diz,… ”Se você quiser conhecer a verdadeira face do ser humano, dê poder a ele”. Então, essa pessoa que ajudamos a eleger se voltou, logo no início de mandato, contra os funcionários públicos, perseguindo, cortando salários e, já com mais de 30 dias de greve, nós, professores, sucumbimos às pressões e voltamos ao trabalho perdendo, naquele ano de 2007, até mesmo as nossas férias. Humilhados, voltamos cabisbaixos para o nosso “cativeiro educacional”, ou seja… nossas unidades de ensino. Foi um ano digno de se esquecer.
Enfim, tivemos a chance de mostrar ao Governador que sabíamos quem ele era, e esperei que, na eleição de 2009, a resposta por parte do funcionarismo público fosse dada, mas ele foi mais astuto. Recuperou estradas, fez hospitais, ampliou o sistema habitacional, não só em Salvador como em todo o estado, coisas que poderiam ter sido feitas antes; ele, como uma raposa felpuda, deixou tudo para o período que antecedia as eleições e, sem concorrente direto, se reelege sem grandes esforços. Não satisfeito, continua a sua prática de desestímulo à educação, não usando, de forma correta, o dinheiro do FUNDEB para valorizar o professor, dando-lhe um salário digno para exercer suas funções, e até mesmo estruturar melhor as escolas, para que as mesmas pudessem ser, de fato, um reduto do saber. A situação do servidor em educação ficou tão ruím que, até para receber vantagens, que é de direito do servidor, é uma tarefa nada fácil de se conseguir, a começar pela licença-prêmio, que só é concedida aos docentes com mais de 20 anos de serviço. Menos disso, tantas entradas na documentação que forem feitas serão sempre indeferidas. Outra arbitrariedade do governo Jacques Wagner é que, se o professor fez um curso, só poderá dar entrada na vantagem de 3 em 3 anos. Ou seja, estudar e receber o incentivo pela sua dedicação aos estudos, rumo a uma educação de qualidade e, consequentemente, melhoria do salário do docente é direito do servidor só no papel, pois o que a secretaria de educação puder fazer para atrasar o recebimento de vantagens é feito e, perguntados, as respostas são variadas e quase sempre secas e sempre em favor do estado, ou seja, nunca o servidor tem razão.
Nossa indignação com esse governo veio a se aprofundar quando “o nosso governador” insiste em ignorar o pagamento da URV, que muitos estados já pagaram aos seus servidores, onde o mesmo já pagou ao judiciário, saúde, mas, aos professores, não aceita nem falar no assunto.
Por fim, para evitar greves, criou uma tal de “mesa permanente de negociação”, dividida em zonais que, segundo a idéia, era pegar as insatisfações e ideias dos docentes, analizá-las e resolvê-las afim de evitar desgastes futuros entre governo e docentes. Na verdade, era uma estratégia política para ganhar tempo e ludibriar a classe docente. Isso foi percebido pelas bases da categoria que advertiu o governo do engano de tentar enganar a classe. Não satisfeito, o governador, que assinou em 2011 o termo de compromisso para acatar o piso nacional do magistério, já em 2012 deu o piso apenas para os professores sem nível superior, 22,22% e, para os demais níveis, apenas 6,5%, medida essa que achatou o salário da categoria, achatando os interníveis. Ou seja,… para ele não haveria mais diferença entre não licenciados e licenciados, mestres e doutores.
Sendo assim, a decretação da greve se fez inevitável já que o mesmo, desde o início dela, não senta pra negociar. De início, ele dizia desconhecer o acordo firmado em novembro de 2011, dizendo que nunca houve acordo com reajuste de 22,22%. O curioso é que a assinatura no documento que ele tem em seu poder, a APLB Sindicato também tem. Incrível que o mesmo passe por cima da lei assinada e aprovada pelo congresso a qual, infelizmente, somente três estados, com a Bahia, insistem em não cumprir o piso sancionado pela congresso.
Depois, acuado, diz não poder pagar por causa da lei de responsabilidade fiscal, que limita o gasto dos governantes; mas, o mesmo, não mostra, e não prova com documentos, em que tem gasto os recursos do FUNDEB, recurso esse que foi criado para a melhoria da educação nos estados da união. Quando perguntado, fica irritado e logo desconversa.
Nessa queda de braço, entre a truculência e a vontade de ver seus direitos reconhecidos, já estamos com 70 dias de greve e 3 meses de salário cortado. O que surpreende é que o governo gasta cerca de R$20.000,00 por cada nota na tv, esclarecendo a greve sobre a ótica dele, não dando direito de resposta ao Sindicato dos professores que, mesmo pagando, as principais emissoras da capital, TV BAHIA, TV RECORD e TV ARATU, se recusam a colocar nossas notas no ar para que a população saiba, realmente, que tipo de ser humano esse senhor é. Não satisfeito, e sentindo que perde terreno dia a dia, aumenta o pacote de “malvadezas”, sequestrando, de forma arbitrária, as contas do sindicato, deixando o mesmo sem recursos. Francamente, não vivi a ditadura, mas não pensei que pudesse ser possível, dentro de um estado democrático, medidas despóticas tão radicais como esse senhor de cabeça branca tem tomado. Sinto uma funesta coincidência cronológica dentro do cenário político baiano. Será que todos pensaram em ACM?... sim, o velho “Toinho Malvadeza” deve estar rolando no túmulo, já que, aquele que tanto falou de suas ações no passado, hoje é capaz de colocar ACM nos bancos de escola, atuando com tanta vilania e desmandos. Um verdadeiro “senhor feudal”.
Hoje, 19/06 (terça-feira), vivemos mais um momento histórico em nossas carreiras funcionais. Soubemos do sequestro das contas do sindicato por parte do estado, a negação de direito de resposta da TV BAHIA, TV RECORD e TV ARATU, talvez temendo retaliações do governo contra eles ou por concordarem por conveniência financeira. Mas, mesmo sem poder de resposta nas emissoras, a NET, FACEBOOK, ORKUT, TWITTER e rádios são meios poderosos de esclarecimento, além do boca a boca. Não adianta roubar o nosso salário, sequestrar o dinheiro do sindicato e não nos dar direito de resposta na mídia, pois a opinião pública está conosco. Não adianta contratar, em regime de urgência, os nossos colegas em estado probatório de madrugada, como se os mesmos fossem desocupados, contratar professores pelo REDA ou qualquer outra maracutaia, pois os alunos e pais de alunos sabem que 70 dias da greve dos professores ­­e os 12 da greve da polícia militar perfazem 82 dias que, mesmo segundo o estado, tendo aulas aos sábados sem férias de julho e entrando por dezembro e janeiro não se cumpririam os 200 dias letivos; nem com aulas magníficas de Jorge Portugal ou outras ideias pirotécnicas será possível ensinar aos alunos do 3º ano conteúdos que deveriam ter sido vistos não só em 2012, mas em anos anteriores. Mas, por força da falta de habilidade política do governo, que sempre deixou o professorado sem alternativa a não ser resolver suas insatisfações com greve por falta de diálogo, o deft educacional não será resolvido com umas poucas aulas, “tapa buraco” só pra dar satisfação à sociedade, que já sabe quem é o vilão da história. O melhor era colocar as cartas na mesa e ser sincero, pelo menos uma vez, nesse segundo mandato e negociar de verdade como um político sério que, infelizmente, o governador não é. Peço que todos que recebam este email, o mandem para o máximo de pessoas possível, pois assim pode ser que os meios de comunicação do estado, pressionados, nos deixem expor nosso ponto de vista e nossas reinvidicações e não ficarem apenas protegendo o governo por $er mai$ intere$$ante financeirante. Vamos mostrar isenção pessoal!!!
A luta continua!!!
 
Atenciosamente,
Marlene R. Souza Felício

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