segunda-feira, 13 de junho de 2011

Casa de pai, escola de filho!!

Não tem jeito: é só pintar uma campanha de vacina para eu me deleitar com novos "causos". Esse período é muito rico devido à interação com pessoas dos mais diferentes níveis de escolaridade. E descobri que quanto menos letrado, mais criativo e original! Deve ser a tal Lei da Compensação! Desta vez aconteceu hoje, 13/06/2011, primeiro dia da Campanha Antipólio no município de São José do Jacuípe, mais exatamente no Distrito de Itatiaia, na companhia da colega Iracema e do Agente Comunitário de Saúde, Sêo Cosme. Figura bonachona, de sorriso franco, muito conhecido e respeitado na localidade, muito organizado, o que aliás, não é fácil de se ver. Passado o primeiro momento,  "gelo quebrado", como se diz na gíria, Sêo Cosme se revelou muito bom de papo e de causos. Às 13:00hs paramos num bar num povoado, fechado e prá piorar, chovendo. Apanhamos nossas "quentinhas" mais geladas que pedaços da Calota Polar e traçamos. Tava ótimo: feijão tropeiro, arroz e carne assada no espeto dá prá encarar. E, como sobremesa, Sêo Cosme me conta não um "causo", mas um fato do qual ele participara. Foi um Batizado Coletivo no Povoado do Pereira. Lá estavam todos: pais, padrinhos e crianças prontas para se tornarem cristãos de fato e de direito. Contou-nos Sêo Cosme que, como havia um garoto de aproximadamente 5 anos, o padre sugeriu que ele fosse o primeiro, já que estava inquieto prá caramba. Concordaram, aproximaram-se da Pia Batismal os pais e padrinhos, seguraram o moleque de barriga prá baixo, cara enfiada na Pia e o Padre começou então: "Eu te batizo..." (falou o nome do Coisinha Ruinzinha") quando, ao derramar a água na cabeça o moleque deu um jeito de se virar um pouco e com cara enfezada,  se torcendo, berrou: "Você tá moiando  minha cabeça cum essa água fria, é sêo Cabrunco?!" (!!!)... Foi isso mesmo: centésimos de segundo no mais absoluto silêncio. Depois, não deu prá aguentar. A risadaria foi geral e incontrolada. Até o Padre, acostumado ao linguajar dos marmanjos da roça, certamente não levou a sério a "reclamação" no nosso aspirante a Cristão e também riu. Fazer o quê? Obrigar o moleque a pagar uma penitência? Quem nasceu na roça, como eu, sabe da facilidade e até naturalidade com que as pessoas proferem palavras de xingamento muito pesadas e feias. Meu pai mesmo tinha um vocabulário que, certamente, Cabrunco era uma palavra leve qual uma pluma. Todos nós ficávamos apavorados quando o velho tava cuspindo "Cabruncos e Estopôs" por todos os lados. Vinha chumbo grosso. O que é que ocorre? A criança vendo e ouvindo  aquilo diuturnamente acha que é normal e aprende. Se não se conversa com o moleque, mais tarde fica difícil corrigir. É o que deve ter acontecido com nosso pequeno cristão que certamente deixou seus pais na maior saia justa. Confesso que não via a hora do trabalho de hoje se encerrar e correr para o computador e dividir com vocês mais esse Caso Verdade!

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